segunda-feira, 18 de maio de 2009

CRÔNICA, UMA TEORIA


Por Francisco Perna Filho







Hoje, no período da manhã, fiz uma palestra para os alunos do 2º período do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins, atendendo ao convite do amigo e professor Dr. Fábio Dabadia. Falei da minha experiência como escritor, poeta e cronista. Mais especificamente como cronista, já que a aula tratava desse assunto. Foi uma experiência encantadora: pude conhecer o pensamento e os anseios dos alunos que ali estavam. Vi o quanto o tema é apaixonante e desperta tanto interesse. Por ser tão instigante e fazer parte do nosso cotidiano, resolvi teorizar sobre o assunto.

 

 

CRÔNICA

 

 

  1. O que é crônica?
  2. Existe uma estrutura para escrever uma crônica?
  3. Como se escreve uma crônica?
  4. Crônica: jornalismo ou literatura?
  5. Crônica: razão ou emoção?
  6. O que inspira uma crônica?

 

 

1.O próprio nome já nos remete para um significado, porquanto crônica vem de Cronus deus do tempo, chegando para nós como uma modalidade narrativa curta, de caráter pessoal e lírica. Primando por recortes de realidade e abordando uma temática variada. Às vezes, pode trabalhar com relatos do cotidiano, mas sempre iluminada pelo toque especial do autor.

 

2. A crônica não deve ultrapassar “60 linhas”. Os parágrafos devem ser curtos e bem estruturados; a linguagem deve ser expressiva e elegante.

 

3.Como se escreve qualquer texto, o autor deve ter um conhecimento do assunto a ser abordado, dominar o código lingüístico e, acima de tudo, primar pela clareza e objetividade.

 

4.Pode-se considerar tanto jornalismo quanto literatura. Por ocupar um espaço no jornal, constituindo material desse veículo e refletindo as características desse espaço, a crônica é matéria jornalística “não referencial”, primando, às vezes, pela coloquialidade e pelo aspecto conotativo da linguagem. Literária por trazer em essência a percepção lírica do autor, portanto subjetiva, e a criatividade, de estrutura curta, como o conto, embora desse se distanciando pela simplicidade e fluidez.

 

5.Razão e emoção. Racionaliza-se ao projetar o texto, ao determinar para que público ele se destina, ao estruturá-lo como feição estilística. Emoção pelo tema trabalhado, pela subjetividade do autor, pelos elementos conotativos e pela expressividade da linguagem.

 

6. A vida em todos os seus aspectos: a mulher que passa, o olhar perdido e distante do oprimido, a desigualdade social, a incompreensão humana, a solidão, a alegria etc.. a própria crônica;