ECOS



Francisco Perna Filho

















Habitando os cafés 
e refletindo as manhãs 
com restos da noite, 
ambientou-se ao não-ser, 
traçou a inexistência, 
ficou entre parênteses. 
Silente e absorto, 
refez os becos 
de um dia oco e pesado. 
Inquieto, 
alimentou-se de acasos: 
sorveu as praças, 
o cinza das chaminés 
e amargurou-se com o lamento 
pulverizado dos meninos 
da grande cidade. 
Chorou a salobra 
segunda-feira, 
feita de vagidos 
e tormentos. 
Desse modo, 
por muito tempo, 
passou a repetir 
as noites, 
nos olhos avulsos 
do esquálido cão, 
que cismara em perseguir. 
Um dia, 
ao tentar recompor sua história, 
morreu de esquecimento. 


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