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Mostrando postagens de outubro, 2009

Carlos Willian Leite - Poema

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Carlos Willian Leite Carlos Willian Leite é natural de Iporá - Goiás, Jornalista, editor do Opção Cultural , de Goiânia - GO. É fundador e Editor da Revista Eletrônica Bula . Escreveu: A s Intempéries do Vento , Prêmio Bolsa de Publicação Cora Coralina, do Governo de Goiás, em 1999, e Noves fora: nada, Goiânia Perna&Leite Editores, 2006, do qual faz parte o poema a seguir: Educação Sentimental * Para Tainá Corrêa pode ser que eu te compre a 5ª avenida e todo o açucar que existe na vida pode ser que eu te roube um mar de sucrilhos e a química perfeita de todos os brilhos faiçalville 9 da manhã o quarto seco o corpo adrede eu indo rumo ao epicentro perdido em uma rua do centro pensava na tua boca e tinha sede e quantos deuses invento no minuto em que conspiro se quer saber se te respiro basta olhar-me por dentro te vejo nuvem lua-cheia fantasia âmbar nightingale flor-de-vidro te vejo única tpm meio dia algo mais: um catálogo de evidências pela láctea via em todos os lugares são 11...

Carlos Drummond de Andrade - Poema

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Carlos Drummond de Andrade Amor, pois que é palavra essencial Amor – pois que é palavra essencial comece esta canção e toda a envolva. Amor guie o meu verso, e enquanto o guia, reúna alma e desejo, membro e vulva. Quem ousará dizer que ele é só alma? Quem não sente no corpo a alma expandir-se até desabrochar em puro grito de orgasmo, num instante de infinito? O corpo noutro corpo entrelaçado, fundido, dissolvido, volta à origem dos seres, que Platão viu completados: é um, perfeito em dois; são dois em um. Integração na cama ou já no cosmo? Onde termina o quarto e chega aos astros? Que força em nossos flancos nos transporta a essa externa região, etérea, eterna? Ao delicioso toque do clitóris, já tudo se transforma, num relâmpago. Em pequenino ponto desse corpo, a fonte, o fogo, o mel se concentraram. Vai a penetração rompendo nuvens e devassando sóis tão fulgurantes que nunca a vista humana os suportara, mas, varado de luz, o coito segue. E prossegue e se espraia de tal sorte que, além...

Lacordaire Vieira - Conto

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Lacordaire Vieira Lacordaire Vieira é natural de Guapó, Goiás. Nasceu em 1946, foi criado em São Luís de Montes Belos. Mudou para Goiânia em 1965, onde reside até hoje. É Mestre em Letras e Lingüística pela UFG, é professor, literato e lingüista. Com o livro O Corpo, ganhou o Prêmio Bolsa de Publicações Cora Coralina Categoria Geral. Publicou textos também para a imprensa local. É autor das seguintes obras: Detalhes em Preto e Branco (contos, 1995), A Voz dos Vivos (contos, 1997), O conto Sociológico Urbano (ensaio, 1999), Os Níveis de Análise Lingüística (ensaio, 2003), Os Riscos da Língua (ensaio, 2003), O Corpo (contos, 2004). FORMIGAMENTO - O próximo - anunciou a recpcionista do Dr. Isaac. As pessoas se olham sem saber quem é o próximo, mas a dúvida se dissipa em seguida com a chamada pelo nome: -Miúcha! Quem é Miúcha? -Sou eu, meu bem! -Pode entrar! Miúcha se levanta com o assombro de todos ...

Sinésio Dioliveira - Fotopoema

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Sinésio Dioliveira Deus mora em alm a s Foram muitas preces rezadas. Foram muitos pecados confessados. Apenas as paredes ouviram. Deus foi embora da igreja (Se é que Ele desse jeito exista E se acomode entre tijolos.) Deus mora em almas... Os romeiros vão muito longe Sob sol ou chuva À procura de Deus Quando pra encontrá-lo Nenhum passo seria necessário. Não sabem eles Que Deus anda muito ocupado: Colorindo flores Fazendo chuvas Madurando frutos Ensinando música aos pássaros Portanto sem tempo pra ouvi-los. Não sabem os romeiros Que não é Deus que os chama Mas homens famintos de algibeira. Foto by Sinésio Dioliveira. Igreja - Todos os direitos reservados.

Sóror Mariana Alcoforado - Carta

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Mariana Alcoforado (...) Depois destes abalos tenho sofrido muitas enfermidades, mas posso eu viver sem males em tanto que não te vir? Suporto-os sem murmurar pois que de ti provêm. Coitada de mim! é esta a recompensa que me dás de te haver carinhosamente amado? Não importa. Estou decidida a adorar-te toda a vida e a não querer a mais ninguém. Digo-te que farás bem, igualmente, em não amar outra. Porventura poderia contentar-te uma paixão menos ardente do que a minha Encontrarias talvez mais formosura, - e contudo dizias-me outrora que eu era bonita, - mas não encontrarias, nunca, tanto amor...e tudo o mais é nada. Não enchas as tuas cartas de coisas inúteis, e não me digas mais que me lembre de ti. Eu não posso esquecer-te, e não me esqueço, tampouco, de que me fizeste esperar que virias passar algum tempo comigo. Ai por que não queres tu passar comigo toda a tua vida! Pudesse eu sair deste aborrecido convento, que não esperaria em Portugal, não, que se cumprissem as tuas promessas!.....

Sóror Mariana Alcoforado - Carta

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MARIANA ALCOFORADO O amor proibido de uma freirinha de Beja por um oficial de cavalaria francês constituiu um dos capítulos mais instigantes e mais ternos da literatura portuguesa. A freirinha chamava-se Mariana Alcoforado (1640-1723). Viu ela passar certo dia de 1667, sob as rótulas do Convento da Conceição de Beja, onde professara, a cavalaria francesa que viera ajudar os portugueses a restaurarem a monarquia pátria. Dentre os cavalarianos, impressionou-se Sóror Mariana particularmente pela guapa figura do Capitão Noël-Bouton de Chamilly. Versado na arte da galantaria, tão cultivada nos salões parisienses da época, o Capitão Chamilly não teve maiores dificuldades em transformar em paixão devoradora a ingênua admiração da freirinha. Vieram depois os encontros pecaminosos na cela do convento, e, finalmente, o escândalo público. Por influência dos Alcoforados, cuja vingança de certo temeria, o Capitão Chamilly acabou voltando definitivamente para a frança. Decorrido um ano de sua part...

Rainer Maria Rilke - Carta

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SER OU NÃO SER POETA Hoje, prosseguiremos com a segunda parte desta belíssima carta de Rainer Maria Rilke: Cartas a um Jovem Poeta, em que ele explica ao seu jovem correspondente o que entendia por verdadeira vocação poética. Tenham todos uma bela leitura! "Voltar-se para si mesmo e sondar as profundezas de onde provém a sua vida: nessa fonte encontrará resposta à pergunta se deve criar." (...) S e a vida cotidiana lhe parece pobre, não a culpe: culpe a si mesmo. Diga consigo que não é bastante poeta para descobrir-lhe as riquezas. Para os criadores, não há pobreza, nem sítios pobres, indiferentes. E mesmo que estivesse numa prisão, cujas paredes não lhe deixassem chegar aos ouvidos os rumores do mundo, não lhe restaria sempre a infância, essa riqueza preciosa e imperial, essa arca de lembranças? Volte para ela a sua atenção. Procure trazer à tona as sensações submersas desse vasto passado: sua personalidade se afirmará; sua solidão se engrandecerá, convertendo-se num retiro ...

Rainer Maria Rilke - Carta

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SER OU NÃO SER POETA Poeta da morte e da solidão e da vida interior, Rainer Maria Rilke (1875-1926) é uma das vozes líricas mais altas do nosso século. Embora tcheco de nascimento, teve educação germânica e escreveu toda a sua obra em Alemão. Viajou a maior parte da vida pelos países da Europa e pelo Norte da África. Seus poemas mais célebres figuram nas “Elegias de Duíno” e nos “Sonetos a Orfeu, sendo igualmente célebres as cartas que, entre 1903 e 1908, trocou com o poeta Kappus, que lhe pedira opinasse sobre uns versos que lhe enviava. Em vez de simplesmente opinar, Rilke preferiu desde logo explicar ao seu jovem correspondente o que entendia por verdadeira vocação poética. Tal é o tema admiravelmente desenvolvido na carta a seguir, a primeira das dez “Cartas a um Jovem Poeta” José Paulo Paes París, 17 de fevereiro de 1903. Prezado Senhor: Recebi sua carta faz alguns dias. Q...

Carlos Pena Filho - Poema

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Carlos Pena Filho A SOLIDÃO E SUA PORTA Quando mais nada resistir que valha a pena de viver e a dor de amar e quando nada mais interessar, (nem o torpor do sono que se espalha). Quando, pelo desuso da navalha a barba livremente caminhar e até Deus em silêncio se afastar deixando-te sozinho na batalha a arquitetar na sombra a despedida do mundo que te foi contraditório, lembra-te que afinal te resta a vida com tudo que é insolvente e provisório e de que ainda tens uma saída: entrar no acaso e amar o transitório. In. Livro Geral . Recife, 1969, p.40 - Apud. Magaly Trindade Gonçalves et all. Antologia de Antologias . São Paulo: Musa, 1995, p.497. Imagem: Solidão

Valdivino Braz - Poema

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Valdivino Braz AS MANGAS Entre as mais fibrosas, de preferência a Sabina, com suas sardas; a pele com azinabre de cobre e ferrugem de lâmina. O dentro doce quando mordido, e logo ácido na língua. O sabor da Sabina se sabe na primeira lambida, mas temporona é azeda, madura demais é urina. Das menos fibrosas, a Bourbon, com nome de nobre, mas que não engana: o que tem de bom tom, é um quê de cigana. A Manga-rosa, a mais sensual, escandalosa - Scandal Rose -, a mais fêmea do mangueiral: polpa farta, carnal, um cheiro que excita e reporta secretas impregnações nas mucosas da boca. Tem gosto de boca almiscarada, de beijo obsceno, e parece peito de mulher inesquecível. A Coração-de-Boi - que coração! É a manga das paixões e dos suicídios. Tudo cabe num coração maior que tudo. A Manga-Espada é óbvia: um porte afiado. E todas essas as mais saborosas, de melhor essência. As demais são comuns, entanto comíveis, ou chupáveis. A tal de Coquinho, a mais desenxabida, e muito enxerida no meio da meni...