segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Murilo Mendes - Poema






Murilo Mendes








Estudo Para Uma Ondina



Esta manhã o mar acumula ao teu pé rosas de areia,
Balançando as conchas de teus quadris.
Ele te chama para as longas navegações:
Tua boca, tuas pernas, teu sexo e teus olhos escutaram.

Só teus ouvidos é que não escutaram, ondina.
Minha mão lúcida sacode a floresta do teu maiô.
Ao longe ouço a trompa da caçada às sereias
E um peixe vermelho faz todo o oceano tremer.

Tens quinze anos porque já tens vite e sete,
tens um ano apenas...
Agora mesmo nasceste da espuma,
E na incisão do ar líquido alcanças o amor dos elementos.


In.Metamorfoses. Murilo Mendes. Rio de Janeiro: Record, 2002, p. 65.
Imagem:Nu - Filipe - Braga, Portugal