terça-feira, 6 de outubro de 2009

Manoel de Barros - Poema






Esta semana, farei uma homenagem ao poeta Sul-Mato-grossense Manoel de Barros, um dos nossos maiores poetas. Sobre ele, escrevi a minha Dissertação de Mestrado em Letras: "Criação e Vanguarda - Bopp e Barros", um estudo comparado entre ele e Raul Bopp, poeta Sul-Rio-Grandense. Caso alguém se interesse pelo livro, poderá adquiri-lo pelo e-mail: framper@terra.com.br. Boa Leitura !



UMA DIDÁTICA DA INVENÇÃO



Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:


a) Que o esplendor da manhã não se abre com faca

b) O modo como as violetas preparam o dia para morrer

c) Por que é que as borboletas de tarjas vermelhas têm devoção por túmulos

d) Se o homem que toca de tarde sua existência num fagote, tem salvação

e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega mais ternura que um rio que flui entre 2 lagartos

f) Como pegar na voz de um peixe

g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.





II




Desinventar objetos. O pente, por exemplo.
Dar ao pente funções de não pentear. Até que
ele fique à disposição de uma begônia. Ou
uma gravanha.


Usar algumas palavras que ainda não tenham
idioma.







III




Repetir repetir - até ficar diferente
Repetir é um dom do estilo.



In.Livro das Ignorãças. Manoel de Barros. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1994, p.11-12.