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Mostrando postagens de outubro, 2010

Adriano Eysen - Poema

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Elegia às meninas meigas Cantemos as mulheres que trazem na noite o aroma do sexo e uma tristeza que habita a lua. São elas fidalgas que guardam o pecado por trás dos vestidos envelhecidos na memória. Cantemos suas tramas que se findam nas camas numa réstia de madrugada. Lá vão elas, meninas meigas carregando em seus corpos a lucidez dos deuses que as amam. In.Cicatriz do Silêncio. Salvador:EPP, 2007,p.57. Imagem retirada da Internet: bluegirl

Cleberton Santos - Poema

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AMOR O vestido preto está dançando na esquina. O amor é uma festa mesmo em dia de luto In. Lucidez Silenciosa. Salvador: EPP, 2005, p.61 Imagem retirada da Internet: Luto

Antônio Gonçalves Dias - Poema

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Se se morre de amor! Meere und Berge und Horizonte zwischen den Liebenden - aber die Seelen versetzen sích aus dem staubigen Kerker und treffen sich im Paradiese der Liebe. Schiller, Die Rüuber Se se morre de amor! — Não, não se morre, Quando é fascinação que nos surpreende De ruidoso sarau entre os festejos; Quando luzes, calor, orquestra e flores Assomos de prazer nos raiam n'alma, Que embelezada e solta em tal ambiente No que ouve, e no que vê prazer alcança! Simpáticas feições, cintura breve, Graciosa postura, porte airoso, Uma fita, uma flor entre os cabelos, Um quê mal definido, acaso podem Num engano d'amor arrebatar-nos. Mas isso amor não é; isso é delírio, Devaneio, ilusão, que se esvaece Ao som final da orquestra, ao derradeiro Clarão, que as luzes no morrer despedem: Se outro nome lhe dão, se amor o chamam, D'amor igual ninguém sucumbe à perda. Amor é vida; é ter constantemente Alma, sentidos, coração — abertos Ao grande, ao belo; é ser capaz d'extremos, D...

Carlos Moisés Soglia de Melo - Poema

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GALOPE Minhas mãos feitas de garças agarram-se à saia do Universo: cavaleiro, galopo estrelas Ontologia do poema, segundo José Inácio Vieira de Melo: Era uma vez, Moisés, Gabriel e eu galopando dentro da tarde – meus filhos e eu entrando na boca da noite. Passamos num açude para dar água aos nossos cavalos. E havia uma árvore cheia de garças, e as estrelas começavam a brilhar no firmamento. Foi quando Moisés trouxe para nós o seu poema “Galope”. E seguimos galopando, noite adentro. Carlos Moisés Soglia de Melo, 10 anos, é filho do poeta/amigo José Inácio Vieira de Melo. Imagem retirada da Internet: cavalo

Carlos Moisés Soglia de Melo - Poema

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SINFONIA É cheio de estrelas o silêncio do maestro. Dança a lua cheia. Ontologia do poema, segundo o Poeta José Inácio Vieira de Melo, pai de Carlos Moisés: Um dia ouvíamos a “Sinfonia Coral” (Nona Sinfonia) de Beethoven, sentados à beira de uma fogueira, lá na fazenda Pedra só e, de repente, quando os cantores líricos cantavam a “Ode à Alegria” de Schiller, Moisés (10 anos)* trouxe do âmago do seu ser o poema “Sinfonia”. Não sabia ele que havia feito um hai-kai. *Carlos Moisés fez 10 anos, ontem,26. Parabéns! Imagem retirada da Internet: Nona Sinfonia

Antônio Gonçalves Dias - Poema

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Ainda uma vez — Adeus I Enfim te vejo! — enfim posso, Curvado a teus pés, dizer-te, Que não cessei de querer-te, Pesar de quanto sofri. Muito penei! Cruas ânsias, Dos teus olhos afastado, Houveram-me acabrunhado A não lembrar-me de ti! II Dum mundo a outro impelido, Derramei os meus lamentos Nas surdas asas dos ventos, Do mar na crespa cerviz! Baldão, ludíbrio da sorte Em terra estranha, entre gente, Que alheios males não sente, Nem se condói do infeliz! III Louco, aflito, a saciar-me D'agravar minha ferida, Tomou-me tédio da vida, Passos da morte senti; Mas quase no passo extremo, No último arcar da esp'rança, Tu me vieste à lembrança: Quis viver mais e vivi! IV Vivi; pois Deus me guardava Para este lugar e hora! Depois de tanto, senhora, Ver-te e falar-te outra vez; Rever-me em teu rosto amigo, Pensar em quanto hei perdido, E este pranto dolorido Deixar correr a teus pés. V Mas que tens? Não me conheces? De mim afastas teu rosto? Pois tanto pôde o desgosto Transformar o rosto...

Deu no Estadão - Harold Bloom e sua seleção de cem poemas

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Harold Bloom discute sua seleção de cem poemas Em entrevista, Bloom fala sobre sua seleção de cem derradeiros poemas de autores de língua inglesa 23 de outubro de 2010 | 7h 00 Lúcia Guimarães - O Estado de S. Paulo Ele nunca decepciona seus interlocutores. Passional e provocador. Professoral, sempre. Num momento pede socorro à mulher porque derrubou o aparelho de audição ("Está tudo desmoronando por aqui!") e em seguida elogia, sedutor, o que chama de voz maviosa da repórter ao telefone. Divulgação/Yale University Harold Bloom: 'o propósito de ensinar é estender a bênção da vida prolongada', diz o professor Toda traquinagem será tolerada. Harold Bloom acaba de completar 80 anos. No final de 2009, sua saúde o afastou por meses do convívio com os estudantes da Universidade de Yale, onde ocupa a mais famosa cadeira de crítica literária do país. Se você faz 80 anos e passou a vida lendo o melhor da poesia, então, "começa a saber que, diante do morrer e da morte, a im...

Brasigóis Felício Brasigóis Felício - Poeta

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Um poeta incomum Helvécio de Azevedo Goulart, ou simplesmente Helvécio Goulart, como assinava seus textos literários: eis um poeta marcado pela singularidade de uma linguagem que, sendo especialmente sua, é comunicável em sua universalidade, mesmo remetendo o leitor sensível a uma atmosfera lírica incomum, muito longe do trivial. Foi mantendo-se sempre igual a si mesmo, que este mineiro de Itajubá construiu uma história literária em terras goianas, pontificando como dos maiores poetas brasileiros escrevendo em nosso rincão. Seu currículo literário é vasto, expressivo. Mas foi ele também um homem público de destaque. Ocupou cargos públicos de grande responsabilidade, e em todos demonstrou grande valor e dignidade. Foi Ouvidor Geral do Estado de Goiás, atuou junto ao tribunal de Contas do Estado, Foi chefe do gabinete civil do Governo Leonino Caiado e da gestão de Índio A...

Célio Pedreira - Crônica

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As dores Dia vem e o labutar diário dos espasmos a caminhar leitos e corredores largos. Investigar os óbvios para atender aos obscuros, eis a luta mais desigual que conheço. Assim como tentar curar saudade com antiálgicos, como tratar insônias com ópio. O plantão segue suas horas num ranger silêncioso, onde a ciência não aceita só ciência, exige zelo e afeto. Pedir zelo parece perto, mas alcançar afeto é pura arte. Quantas dores necessitam ser invertidas todos os dias? Pois bem, são 5 horas da madrugada. Um ancião a confessar-me: - Tenho uma agonia no peito, é forte! Parece que tudo por dentro está fechando... a agonia sobe no pescoço, como fosse sufocar... daí minha mão esfria... parece dor mas não sei onde começa, nem onde termina, sei que não estou aguentando! Mas se o dia for amanhecer e o galo cantar, pass...

Manuel Bandeira - Poema

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Carta-Poema Excelentíssimo Prefeito Senhor Hildebrando de Góis, Permiti que, rendido o preito A que fazeis jus por quem sois, Um poeta já sexagenário, Que não tem outra aspiração Senão viver de seu salário Na sua limpa solidão, Peça vistoria e visita A este pátio para onde dá O apartamento que ele habita No Castelo há dois anos já. É um pátio, mas é via pública, E estando ainda por calçar, Faz a vergonha da República Junto à Avenida Beira-Mar! Indiferentes ao capricho Das posturas municipais, A ele jogam todo o seu lixo Os moradores sem quintais. Que imundície! Tripas de peixe, Cascas de fruta e ovo, papéis... Não é natural que me queixe? Meu Prefeito, vinde e vereis! Quando chove, o chão vira lama: São atoleiros, lodaçais, Que disputam a palma à fama Das velhas maremas letais! A um distinto amigo europeu Disse eu: — Não é no Paraguai Que fica o Grande Chaco, este é o Grande Chaco! Senão, olhai! Excelentíssimo Prefeito Hildebrando Araújo de Góis A quem humilde rendo preito, Por serdes ...

Manuel Bandeira - Poema

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O último poema Assim eu quereria meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação. Fonte: Releituras - Manuel Bandeira — 50 poemas escolhidos pelo autor", Ed. Cosac Naify – São Paulo, 2006, pág. 35. Imagem retirada da Internet: caderno

Manuel Bandeira - Poema

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ARTE DE AMAR Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus - ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não. Imagem retirada da Internet: amar

Francisco Perna Filho - Poema

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Um menino nas nuvens Para João Pedro o primeiro voo, e ele, sabendo-se no alto, inventa anjos nas nuvens da sua imaginação. A infância ali, a inocência de quem descobre o mundo nas asas de um boing 737. Apesar do medo de voar, os seus olhos são só ternura, quando passeia solto pelas nuvens da sua imaginação. A vida se refaz a tarde se alarga, e eu, agradecido, volto para casa feliz. Imagem retirada da Internet: Anjos

Brasigóis Felicio - Poema

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PÁTRIA BRAZILIS Os degredados de Portugal os degradados do Brasil Os pares de França e do Funchal, os párias da pátria pedindo aval As escórias de Portugal as escoras do Brazil Os escárnios do Brazil os canalhas do Brasil As malícias do Brasil, as milícias do Brasil A sociologia do Brasil, a saciologia do fuzil Os sabujos de plantão os palhaços da razão Os canalhas céu de anil os calhordas sem buril Os melindres dos perversos os fazedores de versos Convescotes dos ridículos nas surubas dos pudicos Os melindres dos patifes os chiliques dos juízes Trombas d´água na secura no país da velha usura Qaurteladas & pampeiros lambe-botas de cueiros O atraso só avança no Brazil dos Bruzundangas. Imagem retirada da Internet: Sal & Pimenta

Heleno Godoy - Poema

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Um Possível Oráculo Para aquele que, diante de si (e antes de si) mesmo, pode contar pares de olhos, mãos, pernas, cabeças que nem sempre o seguem, que às vezes não lhe prestam atenção; Para aquele que se sente esgotado, mas segue em frente; que se sente traído, mas se recusa a parar e que, se pára, sente então que a traição é mais ainda sua e que todos aqueles pares de olhos, aquelas cabeças tantas vezes deslocadas, aquelas mãos e pernas que não se aquietam e se impacientam para ir embora, elas sim, traem a si mesmas, mas não por serem ruins ou mesmo tolas, apenas por serem inadequadas, por não terem aprendido ainda o que vale e o que não vale, o que permanece e é insubstituível, o que atrai o pássaro ou a abelha para as flores e a chuva para o chão. Um dia, saberão. Oráculo do professor! Imagem retirada da Internet: Oráculo

Manuel Botelho de Oliveira - Poema

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À ILHA DE MARÉ TERMO DESTA CIDADE DA BAHIA Jaz oblíqua forma e prolongada a terra de Maré toda cercada de Netuno, que tendo o amor constante, lhe dá muitos abraços por amante, e botando-lhe os braços dentro dela a pretende gozar, por ser mui bela. Nesta assistência tanto a senhoreia , e tanto a galanteia, que , do mar, de Maré tem o apelido, como quem preza o amor de seu querido: e por gosto das prendas amorosas fica maré de rosas, e vivendo nas ânsias sucessivas, são do amor marés vivas; e se nas mortas menos a conhece, maré de saudades lhe parece. Vista por fora é pouco apetecida , porque aos olhos por feia é parecida; porém dentro habitada é muito bela, muito desejada, é como a concha tosca e deslustrosa , que dentro cria a pérola fermosa . Erguem-se nela outeiros com soberbas de montes altaneiros, que os vales por humildes desprezando, as presunções do Mundo estão mostrando, e querendo ser príncipes subidos, ficam os vales a seus pés rendidos. Por um e ou...