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Mostrando postagens de setembro, 2009

Raul Bopp por Antônio Houaiss - Parte Final

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Cobra Norato Hoje, apresento a última parte deste ensaio de Antônio Houaiss. O texto foi transcrito ipsis litteris, conservando a sua linguagem original. Acho importantíssimo reunir aqui neste espaço - Banzeiro - três grandes nomes das nossas Letras: Raul Bopp, Othon Moacyr Garcia e Antônio Houaiss. Boa Leitura! (...) Nas terras do Sem-fim, palmilhando-as todas, eu=Raul Bopp=leitor, metido na pele da Cobra Norato, faço-me o Cobra Norato e vou casar-me com a filha da rainha Luzia. Está-se em plena mitologia, vencendo todos obstáculos, inclusive os do espaço e do tempo. Toda racionalidade da ensaística era abandonada, em favor das regras de um jogo de imprevistos, previsíveis somente pela limitação ecológica, inclusive para os convidados do epitalâmio, o caxiri-grande, que na primeira versão já iria ter como convidada a paulista Tarsila, mas de certa ediç~so em diante iria também ter a do fraterno Augusto Meyer, pois o herói queria na sua festa nupcial "povo de Belém de Porto Alegre...

Raul Bopp por Antônio Houaiss

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Como eu havia prometido, hoje prosseguiremos falando da poesia de Raul Bopp . Para homenageá-lo, segue uma nota introdutória ao poema épico Cobra Norato, de Raul Bopp, escrito por Antônio Houaiss, em 1972, que destaca a maestria de Bopp e a beleza poética desse poema cosmogônico, que, segundo ele, é o verdadeiro poema épico brasileiro. Boa Leitura! Por Antônio Houaiss O poema de Cobra Norato - nas suas versões textuais públicas, de 1931, 1947, 1951, 1954, 1956, 1967, 1969 (incluído no livro Putirum ) e 1973 (esta) - inicia-se pelos versos Um dia eu hei de morar nas terras do Sem-fim e termina, na versão de 1931, por - Então adeus Cumpadre Fico lê esperando na boca da terra das febres do Sem-fim enquanto na versão de 1969 (ou antes, não cotejei) termina por: - Pois então até breve, compadre fico lê esperando atrás das serras do Sem-fim Num caso como no ...

Raul Bopp - Poema

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Depois de uma rápida passagem pelo erotismo de Hilda Hilst, vamos resgatar um dos nossos maiores poetas: Raul Bopp . Além do seu poema mais famoso: Cobra Norato, ele nos legou inúmeros outros poemas, como este: Princípio . Amanhã falaremos mais sobre Bopp. Boa Leitura! Princípio No princípio era sol sol sol O Amazonas ainda não estava pronto As águas atrasadas derramavam-se em desordem pelo mato O rio bebia a floresta Depois veio a Cobra Grande Amassou a terra elástica e pediu para chamar sono As árvores enfastiadas de sol combinaram silêncio A floresta imensa chocando um ovo Cobra Grande teve uma filha. Ficou moça Um dia ela disse que queria conhecer homem Mas não encontraram rasto de homem Então começaram a adivinhar horizontes e mandaram buscar de muito longe um moço Ai! que houve festa na floresta! Mas a filha da Cobra Grande não queria dormir com o noivo porque naquele tempo não havia noite A noite estava escondida atrás da selva dentro de um caroço de tucunã Ah! então vamos busca...

Hilda Hilst - Do Desejo

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Do Desejo E por que haverias de querer minha alma Na tua cama? Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas Obscenas, porque era assim que gostávamos. Mas não menti gozo prazer lascívia Nem omiti que a alma está além, buscando Aquele Outro. E te repito: por que haverias De querer minha alma na tua cama? Jubila-te da memória de coitos e de acertos. Ou tenta-me de novo. Obriga-me. (Do Desejo - 1992) Imagem: http://files.nireblog.com/blogs3/carolsofia/files/hpim0036.JPG

Hilda Hilst - Poema

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Árias Pequenas. Para Bandolim Antes que o mundo acabe, Túlio, Deita-te e prova Esse milagre do gosto Que se fez na minha boca Enquanto o mundo grita Belicoso. E ao meu lado Te fazes árabe, me faço israelita E nos cobrimos de beijos E de flores Antes que o mundo se acabe Antes que acabe em nós Nosso desejo. Fonte: (Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - Árias Pequenas. Para Bandolim - XI) (Poesia: 1959-1979 - São Paulo: Quíron; [Brasília]: INL, 1980.) http://www.jornaldepoesia.jor.br/hilda.html#arias Imagem http://www.riogrande.com.br/Clipart/artes/bandolim.jpg

Antero de Quental - Poesia

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Nascido na Ilha de São Miguel, Açores, durante a sua vida, Antero de Quental dedicou-se à poesia, à filosofia e à política. Iniciou seus estudos na cidade natal, mudando para Coimbra aos 16 anos, ali estudando Direito e manifestando as primeiras ideias socialistas. Fundou em Coimbra a Sociedade do Raio, que pretendia renovar o país pela literatura. Suicidou-se, em Ponta Delgada, no dia 11 de Setembro de 1891, com dois tiros na boca, disparados num banco de jardim. O Palácio da Ventura Sonho que sou um cavaleiro andante. Por desertos, por sóis, por noite escura, Paladino do amor, busca anelante O palácio encantado da Ventura! Mas já desmaio, exausto e vacilante, Quebrada a espada já, rota a armadura... E eis que súbito o avisto, fulgurante Na sua pompa e aérea formusura! Com grandes golpes bato à porta e brado: Eu sou o Vagabundo, o Deserdado... Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais! Abrem-se as portas d'ouro, com fragor... Mas dentro encontro só, cheio de dor, Silêncio e escur...

Cesário Verde - O Sentimento Dum Ocidental

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Cesário Verde José Joaquim Cesário Verde nasceu em 25 de fevereiro de 1855 na cidade de Lisboa em Portugal. Filho de um lavrador e comerciante, dedicou-se desde muito jovem a essas atividades. No ano de 1873 matriculou-se no curso de Letras da Universidade de Coimbra, mas frequentou o curso somente por alguns meses. Nesse período, começou a publicar poesias no "Diário de Notícias", no "Diário da Tarde", no "Ocidente" e em alguns outros periódicos. Nessa época também surgem os sintomas mais agudos da tuberculose, doença que o levaria a morte em 18 de julho de 1886. I Ave-Maria Nas nossas ruas, ao anoitecer, Há tal soturnidade, há tal melancolia, Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia Despertam-me um desejo absurdo de sofrer. O céu parece baixo e de neblina, O gás extravasado enjoa-me, perturba; E os edifícios, com as chaminés, e a turba Toldam-se duma cor monótona e londrina. Batem carros de aluguer, ao fundo, Levando à v...

Afonso Félix de Sousa - Passagem das nuvens

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Natural de Jaraguá-Goiás. Formado em Economia com pós-graduação em Economia Internacional na École des Hautes Etudes da Sorbonne. Trabalhou no Banco do Brasil. Assistente de promoção comercial na Embaixada do Brasil em Beirute. Jornalista no Diário Carioca (Rio de Janeiro). Tradutor de numerosas obras em prosa e verso. Organizador de edições da obra de do Barão de Itararé. Saiba mais sobre o poeta aqui Passagem das nuvens Os montes, ei-los. O verde onde dormíamos. Que paz! Que impossível! Se os buscamos, recuam os horizontes. Detê-lo, o carro luminoso. Inútil: o dia prossegue. Nas mãos, na bola de cristal, pelo avesso o que hoje é sonho, e em tantas direções (não a que peço e quero ... outras) se perde meu destino. E penso, pálido prisioneiro, penso. E quanto mais sobes, pensamento, mais preso estou à terra. Suaves, as nuvens fogem. Para onde? Para onde irão, lúcidas estradas em vôo, os pensamentos? Baixassem, nuvens, errante me levassem, a alma. Quero fugir, buscar - até que o encon...

Valdivino Braz - Poema

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Valdivino Braz Um dos grandes nomes da poesia brasileira, Valdivino Braz nasceu em Buriti Alegre (GO), em 23 de novembro de 1942. Formado em Jornalismo pela UFG (1984), é membro da União Brasileira de Escritores de Goiás. Possui várias premiações literárias, valendo destacar o Prêmio Nacional Cidade de Belo Horizonte, 1992, com A trompa de Falópio ; Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, 2002, com Poema da terra perdida . E, em 1997, recebeu da União Brasileira de Escritores/Goiás o troféu Tiokô de Poesia. Valdivino Braz, por muitos anos trabalhou na imprensa oficial do Estado de Goiás (aposentou-se recentemente), atualmente, além de editar alguns jornais, é colunista da Revista Bula . Boa Leitura! O LABIRINTO EM FLOR Pensar, pensar, até florir, incendiar-se o labirinto em flor. Arranjos florais de uma desordem — girassóis-girândolas em chamas —, O caos dentro de sua própria ordem. Penso a palavra e se deságuo emoção, aí procura a razão. No caos entre uma e outra, me sus...

Carlos Drummond de Andrade - Mãos Dadas

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Carlos Drummond de Andrade Mãos Dadas Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Entre eles, considero a enorme realidade. O presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. In . Sentimento do mund.2 ª ed..Rio de Janeiro: Record, 2002, p.59. Imagem: http://nrse.blog.terra.com.br/files/2009/08/amizade.jpg

Carlos Drummond de Andrade - Poema

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Carlos Drummond de Andrade Congresso Internacional do Medo Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que estereliza os abraços, não cantaremos o ódio, porque este não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte. Depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. In. Sentimento do mundo. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2002, p.35. Imagem: Flor Amarela . by ovendedordeflores http://s498.photobucket.com/albums/rr343/ovendedordeflores/

Luiz de Miranda - Profissão de fé

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Luiz de Miranda Profissão de fé N ã o m o r r e m o s p o e t a s q u e a p o e s i a e t e r n i z a e n a sua luz fundamos a esperança áspera rosa áspera espera linha de água de um rio correndo a infância com sua voz de seda Não morrem os que nesta mesa escrevem que tudo é material de poesia no vôo livre das palavras lúcida luz da alma lúcida versão da vida à sombra do próprio corpo na fresca do verão às frestas que levam ao coração Aqui nos quedamos solos la vida es una mujer hermosa que nos manda beijos no avental da noite manda flores na madrugada de chuva e frio espremendo ao céu sem vento as pandorgas do desejo construídas nos quartos silenciosos do corpo Brilha, vida, envidraçada nos copos deste bar levantando a fumaça sob o metal do esquecimento sob a melancolia e o denso vermelho de seu mar interior Só sairemos deste bar no azul da manhã na pétala da aurora onde renascemos e fundamos a esperança esse navio de sons a nave...

Luiz de Miranda - Longe de Deus

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Luiz de Miranda Longe de Deus Nada chega perto de Deus. Ninguém toca em sua mão de luz. Não há o estilo sublime, apenas o verso i n a c a b a d o. In. Poesia Reunida. Luiz de Miranda. Porto Alegre:Instituto Estadual do Livro, 1992,p.104. Imagem: http://lh6.ggpht.com/_zLu3_jAs-GQ/SDGyHREbKII/AAAAAAAAAp8/h__0tOgBRgQ/Papel+de+Parede+021.jpg