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Mostrando postagens de agosto, 2009

A Droga da Vagina

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Por Francisco Perna Filho O título acima parece pejorativo e, numa primeira leitura, muitos ficarão indignados, dirão que é falta de respeito, que eu não gosto da coisa, que isso tudo não passa de complexo, de machismo e outras coisitas mais. Não é nada disso, eu só estou reproduzindo uma notícia veiculada num jornal de Goiânia, a história de uma jovem senhora que, para satisfazer o seu marido, que cumpre pena no CEPAIGO, foi pega com 360 gramas de haxixe, muito bem guardados, sabe aonde? Na vagina! Isso mesmo, ou como diriam os antigos, na bainha. A té o ano de 1700, o termo “vagina” era empregado para falar de tudo o que era “bainha”, “invólucro”, “casca”, e que os soldados, portanto, a usavam a tiracolo, para guardar (enfiar) suas espadas. Só bem mais tarde, na Renascença, é que o termo vagina passou a denominar o tubo ou bainha na qual se encaixava a espada masculina, o pênis. [1] Pensemos, se sexo vicia, causa dependência, imagine sexo com droga, em altas ...

Pontos de Fuga*

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Por Francisco Perna Filho Algumas leituras nos são fundamentais, por nos situarem no tempo e no espaço e contribuírem para a nossa formação, não permitindo que se faça na realidade o imaginário perverso, e nem o bestial na sensatez. Quantas já nos aliviaram a dor alma e nos livraram do sono letal da ignorância, quando em imensas noites alimentaram as manhãs vindouras e os seguros passos de novas caminhadas. Sobre elas, como bem o fez Hélio Pólvora no seu livro de ensaio ‘O Espaço Interior‘ (Editora da Universidade do Mar e da Mata, 1999), depois de ensaiar sobre a literatura universal, dedicou um capítulo às suas leituras e as de sua geração: ‘O que a minha geração leu’ – permitindo-nos um passeio saboroso pelo que há de mais diverso e importante na literatura universal: “A minha geração leu muito. Claro, a tevê só chegou quando éramos adultos. Para matar o tempo, que sempre resiste e acaba nos matando, segundo a lição de Machado de Assis, tínhamos apenas a Rádio Nacional, ...

Manuel Cofiño - Conto

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Manuel Cofiño - (1936 - 1987) - Escritor cubano, nascido em Havana, situado entre os maiores expoentes do realismo socialista de Cuba, é autor de contos e romances, valendo destacar: 1979 - Um trecho de mar e uma janela (histórias).1975 - Quando o sangue parece fogo (romance). 1971 - A última mulher e a próxima batalha (romance), com este romance recebeu o Prêmio Casa de las Américas. 1969 - Hora de Mudança (romance). Um Trecho de Mar e uma Janela P orque sempre há um livro, um sorriso, uma folha levada pelo vento, um trecho de mar e uma janela – sempre haverá uma recompensa. Conheci-a no acampamento Maravilha Vermelha. Comandante de uma brigada. Entusiasta, incansável, e além do mais, o que causava também admiração, era o fato de não ter medo das rãs que abundavam naquele terreno tão barrento. Diariamente, eu a via subir agilmente na carreta, e aos domingos lavar su...

Hugo de Carvalho Ramos - Ninho de Periquitos

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Hugo de Carvalho Ramos nasceu na Cidade de Goiás, no Largo do Chafariz, a 21 de maio de 1895, e morreu na mesma cidade, no dia 12 de maio de 1921. Considerado um dos grandes nomes do conto brasileiro, escreveu seu único livro Tropas e Boiadas (1917) , do qual o conto Ninho de Periquitos faz parte. Ninho de Periquitos A BRANDANDO A CANÍCULA PELO VIRAR DA TARDE, Domingos abandonou a rede de embira onde se entretinha arranhando uns respontos na viola, após farta cuia de jacuba de farinha de milho e rapadura que bebera em silêncio, às largas colheradas, e saiu ao terreiro, onde demorou a afiar numa pedra piçarra o corte da foice. Era pelo Domingo, vésperas quase da colheita. O milharal estendia-se além, na baixada das velhas terras devolutas, amarelecido já pela quebra, que realizara dia antes, e o veranico, que andava duro na quinzena. Enquanto amolava o ferro, no propósito de ir picar uns galhos de coivara no fundo do plantio para o fogo...

Otto Maria Carpeaux - Madame Bovary - Última Parte

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Com esta parte do texto,chegamos ao final do estudo de Otto Maria Carpeaux sobre Madame Bovary, de Flaubert. Boa Leitura! (...) Daí em diante, o declínio é rápido. A cena na catedral de Ruão, entre Emma e Léon, é a peripécia para a catástrofe. Enfim, Emma, no leito de morte, entre as rotineiras frases untuosas do padre e as imbecilidades do livre-pensador Homais - é a paródia da catástrofe de uma tragédia grega. Seria possível aprofundar a análise durante páginas e páginas, lembrando inúmeras relações escondidas e significações mais ofensivas. Madame Bovaryu é uma obra de arte quase sem par. E poderia ser um incomparável manual de arte de escrever romances. Mas não o tem sido. O modelo é difícil demais. Qualquer um não tem o temperamento de poder enclausurar-se em Croisset, como um monge no deserto, para elaborar obra daquelas. Flaubert tem tido poucos discípulos, entre os quais convém ressaltar os nomes de Henry James e James Joyce. Madame Bovary continua o mais alto exemplo de um ro...

Otto Maria Carpeaux - Madame Bovary

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Carpeaux prossegue revelando o estilo de Flaubert, desvelando toda simbologia de Madame Bovary. Amanhã, postarei a última parte deste belo estudo. Boa leitura! (...) Exato e colorido, sóbrio e musical, poético e prosaico: os termos são contraditórios. Nessas qualidades contraditórias do estilo de Flaubert refletem-se suas contradições íntimas de anti- romântico de burguês provinciano inimigo mortal da burguesia provinciana. Contradições dessas produzem uma tensão que pode ser, num artista altamente dotado, a fonte das mais altas qualidades artísticas. E Flaubert é, realmente, o maior artista em toda história da ficção em prosa. Suas maiores vitórias estilísticas (e aquelas que custaram o mais árduo trabalho) são as nuanças. Dizer duas vezes a mesma coisa, com uma única ligeira diferença, que revela ao leitor atento que algo mudou ou vai mudar. Mas essas informações diferenciais não aparecem em seguida. As vezes estão separadas por páginas, por capítulo...

SELO/PRÊMIO

Agradeço a Ângela d o blog Entremeios http://entremeios-angela.blogspot.com/ o selo/premio Blog de Ouro, vou guardá-lo com carinho e indico dois dos muitos blogs que o merecem: 1- Essa Realidade Inatingível 2-JJLeandro Regras: 1-Exibir a imagem do selo; 2-Postar o link de quem indicou; 3-Indicar alguns blogs de s/preferência; 4-Publicar as regras.

Otto Maria Carpeaux - Madame Bovary

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Continuamos com a análise crítica de Otto Maria Carpeaux. Aqui ele escreve sobre a noção de estilo. Desvela um Flaubert anti-romântico, avesso à burguesia provinciana, lutando pela palavra "certa" na composição da sua obra de arte: Madame Bovary . Com esta leitura, compreendemos o quão importante foi e é Otto Maria Carpeaux para as nossas Letras. Boa leitura! (...) D eclarando-se anti-romântico, Flaubert tomou fatalmente, e talvez contra sua vontade, o partido de tudo que é anti-romântico. Mas no campo anti-romântico também se encontram os pequenos burgueses estreitos e estúpidos, os "filisteus", os Charles Bovary, os Homais etc. Flaubert os odeia igualmente. Mas sua existência de um esteta, inteiramente dedicado ao trabalho de elaboração artística, só é possível à base de um sólido fundamento econômico, de rendas, tipicamente provinciano. Flaubert, embora mais rico, pertence à mesma classe dos Charles Bovary, Homais e Bournisien, à "elite" que vive do tra...

Otto Maria Carpeaux - Madame Bovary

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C arpeaux, nesta parte do texto, fala do verdadeiro personagem do romance Madame Bovary. Mostra um Flauber anti-romântico e um estudioso da estupidez humana. Vamos à leitura! (...) O romance se chama Madame Bovary. O título indica que Emma Bovary é sua "heroína". Mas será realmente assim? A narração começa e termina com o estúpido Charles Bovary; e nela desempenham grande papel o estúpido don-juanismo de Rodolphe e a estúpida paixão de Léon, a estupidez do farisaico padre Bournisien e todo esse pequeno ambiente de província, sem saída para Emma e sem saída para ninguém e pode-se afirmar: o verdadeiro personagem do romance é a Estupidez humana. Flaubert foi grande estudioso da estupidez humana. Colecionou assiduamente burrices que leu em livros e jornais. Seu último romance, Bouvard et Pécuchet , estava destinado a ser uma espécie de epopéia da estupidez. E o paraíso da estupidez é, para Flaubert, aquele ambiente que ele conhecia tão bem e em que ele passara a vida tod...

Otto Maria Carpeaux - Madame Bovary

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Continuamos com o ensaio de Carpeaux, cada vez mais envolvidos nesta tessitura tão bem feita, onde se fundem arte e realidade. Boa leitura! (...) Encontrou –se, muito mais tarde, entre os papéis de Flaubert, um caderno de notas intitulado Madame Ludovica, que faz pensar em outras fontes. Modelo de Emma Bovary teria sido Louise d’Arcet, que se casou com James Pradier, escultor famoso nos anos 1840, autor das estátuas das deusas da vitória em torno do túmulo de Napoleão. Louise traiu o marido. Teve inúmeros amantes. Acabou separada do marido e na miséria. – é difícil aceitar essa história como fonte do romance. Os adeptos dessa teoria têm de afirmar que Flaubert condensou as muitas aventuras de Louise em apenas duas. Pradier foi homem fraco, mas não tinha, contudo, a menor semelhança com Charles Bovary. E Louise Pradier não acabou suicidando-se. Preferimos a hipótese de o caderno intitulado Madame Ludovica ter sido o esboço de um outro romance, que nu...

Otto Maria Carpeaux - Madame Bovary

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Nesta passagem do texto, Carpeaux faz alguns questionamentos a respeito da filiação de Madame Bovary: realista ou naturalista? Empreende um passeio pelos lugares frequentados por Flaubert e desvela que ele (Flaubert) se valeu dos princípios da " ficção experimental", estabelecidos pelos irmãos Goncourt, para compor sua ficção. " Emma Bovary c’est moi" (...) Em qualquer história da literatura francesa se pode ler que Madame Bovary “é o primeiro romance realista”, pela observação meticulosa e representação impossível da realidade. Essa observação talvez seja injusta em relação a Balzac; não teria sido realista? O fato de que Flaubert eliminou os elementos românticos da arte balzaquiana não é decisivo, pois não eliminou a todos. Por outro lado, os contemporâneos sempre consideravam Flaubert como naturalista, como precursor imediato de Zola. Conforme os critérios de Lukács, Madame Bovary não poderia ...

Otto Maria Carpeaux

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N esta semana, vamos conhecer um belo ensaio do escritor austríaco Otto Maria Carpeaux sobre a genial obra de Gustave Flaubert: Madame Bovary . Mas antes de passarmos propriamente para leitura do ensaio, que publicaremos em algumas edições, devido à sua extensão, vamos conhecer um pouco do homem Carpeaux. Otto Maria Carpeaux (Otto Karpfen, de nascimento), filho de pai judeu e mãe católica, nasceu em Viena (Áustria), em 9 de Março de 1900, onde cursou o ginasial. Ingressou na f aculdade de direito, por sugestão familiar, abandonando-a um ano depois. Estudou filosofia (doutorou-se em 1925), matemática (em Leipzig), sociologia (em Paris), literatura comparada(em Nápoles) e política (em Berlim); além de dedicar-se à música. Em 1930 casou-se com Helena Carpeaux. Dedica-se intensamente à literatura e ao jornalismo político. Converte-se à religião católica e torna-se homem de confiança de dois primeiros-ministros em Berlim, Engelbert Dollfuss e Kurt Schuschnigg, os últimos primeiro-minis...