segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Droga da Vagina

Por Francisco Perna Filho



O título acima parece pejorativo e, numa primeira leitura, muitos ficarão indignados, dirão que é falta de respeito, que eu não gosto da coisa, que isso tudo não passa de complexo, de machismo e outras coisitas mais.

Não é nada disso, eu só estou reproduzindo uma notícia veiculada num jornal de Goiânia, a história de uma jovem senhora que, para satisfazer o seu marido, que cumpre pena no CEPAIGO, foi pega com 360 gramas de haxixe, muito bem guardados, sabe aonde? Na vagina! Isso mesmo, ou como diriam os antigos, na bainha.

Até o ano de 1700, o termo “vagina” era empregado para falar de tudo o que era “bainha”, “invólucro”, “casca”, e que os soldados, portanto, a usavam a tiracolo, para guardar (enfiar) suas espadas. Só bem mais tarde, na Renascença, é que o termo vagina passou a denominar o tubo ou bainha na qual se encaixava a espada masculina, o pênis. [1]

Pensemos, se sexo vicia, causa dependência, imagine sexo com droga, em altas doses. Droga comprimida, pronta para causar desatinos, droga sob a saia, paliativo para uma droga de vida, entre grades e desilusões. Dessa forma, sexo torna-se perigoso, além do vício, dá cadeia. Daí o título desta crônica:

A Droga da Vagina, para sintetizar o dilema de uma jovem senhora compenetrada, que, com um simples abrir e fechar de pernas, pariu um rio de angústia.

Angústia que se repete em várias partes desse nosso país, quando mulheres desconsiderando o amor-próprio, submissas, exploradas e maltratadas se veem abandonadas de toda sorte: os filhos sucumbiram ao crime, o marido, há muito encarcerado, rumina os poucos momentos de uma liberdade fugidia, porque esperança não há, como pudemos constatar no Fantástico, há algum tempo, o documentário Falcão, os Meninos do Tráfico, a história da história de uma falta de perspectiva, crianças perdidas no tráfico, natimortos, pois o único sonho que lhes resta é o de vir a ser bandido. Matar ou morrer não importa, outros sempre virão. São autômatos de uma guerra urbana, e as suas histórias são escritas com metralhadoras, fuzis AR-15 e pistolas, não aprenderam, como muitos homens da política, a cultuar belas palavras e encantadoras mentiras, com as quais se escondem e, como mágicos, sobrevivem ilesos aos trovões madrugadores.


[1] PEREIRA J., Luiz Costa. Com a Língua de Fora, São Paulo:Angra, 2002,p.53