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Mostrando postagens de abril, 2013

Valdivino Braz - Conto

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O menino e a prostituta (Conto de um tempo antigo)            — Menino!           — Senhor?           — Sabe onde fica o mulherio por aqui?           — Mu...o quê?           — Mulherio. Casa de mulheres.           — Ah, o senhor quer dizer a zona, não é?           — Isso mesmo. Pra que lado fica?           — O senhor está fora de rumo. A rua das mulheres fica praquela banda — apontou com o dedo —, lá longe. Mas eu sei onde tem mulher aqui perto. Se quiser, levo o senhor até lá.           — Onde é?           —...

Ensaio Crítico - Valdivino Braz

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Moreira Campos Escritores esquecidos, desmazelo cultural  “Você conhece Moreira Cam­pos? Já leu al­gum livro de­le?”. De Fortaleza, Ceará, recebo, por meio de e-mail, estas perguntas do amigo e primoroso escritor Nilto Maciel, imbuído de oportuna, pertinente pesquisa “para mostrar o quanto ignoramos nossos escritores menos divulgados pela mídia, pela Academia, pelas editoras, etc.” Com efeito, agora que se apruma a questão, volta-nos à memória o nítido nome de Moreira Campos, a exemplo de outros que vão sendo insidiosamente esquecidos ou simplesmente ignorados. Aponham-se o débito editorial, a omissão das Academias de Letras e outras instituições (universitárias, inclusive) ou entidades culturais, como (sejamos francos) a UBE nacional e suas seccionais, além dos próprios escritores, ocupados consigo mesmos, zelosos de suas “carreiras literárias”, senão que apenas indiferentes à questão dos colegas na berlinda ou carruagem do tempo. A saber-se até onde sobreviverá a ...

Luís Augusto Cassas - Poema

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Manifesto dos cupins ..................................................... Já roemos vossa esperança livros tradições museus memória lembranças retratos pés-de-cama caibros ratos amanhã roeremos vossos ossos In. A Paixão segundo Alcântra. Rio de Janeiro: Imago, 2006, p.92. Imagem retirada da Internet: c upins

Francisco Perna Filho - Poema

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REFÉM A cidade tempestuosa, a chuva banha. Aflige o homem encerrado em latas de sardinhas, cravado nos latões de lixo da cultura globalizada. Refém de tiros, dispersos como sons, e órfão da própria origem. Pelos corredores se precipita: com angústia e zelo pelo que já perdeu. Uma faca, uma chaga, cravadas no seu coração, reduzem-no ao abjeto da modernidade. No escuro, tateia o grito do seu irmão operário preso ao concreto de sua insignificância. Por certo o homem desumaniza-se, desorienta-se é puro grito ancestral, adormecido nos lábios pétreos da cidade. In. Refeição. Goiânia: Kelps, 2001, p.76. Imagem retirada da Internet

Luís Nicolau Fagundes Varela - Poema

Cântico do Calvário À Memória de Meu Filho Morto a l l de Dezembro de 1863. Eras na vida a pomba predileta Que sobre um mar de angústias conduzia O ramo da esperança. - Eras a estrela Que entre as névoas do inverno cintilava Apontando o caminho ao pegureiro. Eras a messe de um dourado estio. Eras o idílio de um amor sublime. Eras a glória, - a inspiração, - a pátria, O porvir de teu pai! - Ah! no entanto, Pomba, - varou-te a flecha do destino! Astro, - engoliu-te o temporal do norte! Teto, caíste! - Crença, já não vives! Correi, correi, oh! lágrimas saudosas, Legado acerbo da ventura extinta, Dúbios archotes que a tremer clareiam A lousa fria de um sonhar que é morto! Correi! Um dia vos verei mais belas Que os diamantes de Ofir e de Golgonda Fulgurar na coroa de martírios Que me circunda a fronte cismadora! São mortos para mim da noite os fachos, Mas Deus vos faz brilhar, lágrimas santas, E à vossa luz caminharei nos ermos! Estrelas do sofrer, - got...