segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Henriqueta Lisboa - Poema



Não a face dos mortos. 


Não a face dos mortos.
Nem a face
dos que não coram
aos açoites
da vida.
Porém a face
lívida
dos que resistem
pelo espanto.


Não a face da madrugada
na exaustão
dos soluços.
Mas a face do lago
sem reflexos
quando as águas
entranha.


Não a face da estátua
fria de lua e zéfiro.
Mas a face do círio
que se consome
lívida
no ardor.


Publicado: A Face Lívida (1945)



Fonte: Jornal de Poesia
Imagem retirada da Internet: círio