domingo, 4 de julho de 2010

Francisco Perna Filho - Poema

S I L Ê N C I O



A suposta lua que veríamos,

não a temos.

Somente as dálias,

os hibiscos,

o bule de café,

a sala bem arrumada,

dialogam com o nosso silêncio.

Tudo parece tão terno,

bem acabado,

perfeito para o amor prometido,

invetado em palavras raras,

prontas para serem ditas.

Lá fora,

a chuva,

a vida sonolenta,

a sirene d i s t a n t e,

as sonambúlicas palavras da madrugada

pronunciadas no sexo barato de alguma prostituta.

Aqui,

nos reclinamos,

propensos ao mundo,

ao tempo,

ao gozo,

quedos nas nossas vontades,

nos nossos vazios,

nos nossos delírios.

In. Revista Poesia Sempre. nº 31, ano 16. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2009

Imagem retirada da Internet: Hibiscus