terça-feira, 9 de junho de 2009

A PARTE QUE NOS OLHA


Francisco Perna Filho


















Muitos murmuram pelos becos,
passam por pesadas portas,
acelerados como máquinas em desgoverno.
Senti-los,
ouvi-los,
desgastados em ferraduras,
em timbre oco,
avaliando que poderiam fugir,
escapar dos trilhos,
soltarem-se nos campos,
amansando os dias com o vermelho da insônia.

Majestosa fulguração:
homens fracos,
feios,
felizes.
Ingenuamente, felizes.
filtrá-los no abandono,
porque a dor da alegria enviesa o andar,
o andor, em caminhos tão próprios,
tão prósperos, sulcados de rastros,
de raiva,
diluindo esperanças,
comprimindo desejos,
amando o que lhes negam.

São todos deuses,
são todos tolos.
Tão bravos nos seus retrovisores,
esquecidos nas imagens que se perdem,
quanto mais aceleram os astros riem,
os homens choram,
sempre choram, por que, envelhecidos, não terão mais tempo,
e a vontade posta será apenas uma gota de tinta no olhar de cada um.


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