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Mostrando postagens de agosto, 2012

Edmar Guimarães - Poema

TELA DE PASSAGEM Um veio, um olho, entre moitas e muitas pedras o Rio Vermelho injeta suas artérias, lustra fitas de clorofila do mato esmaecido cresce, amontoado, cochichando. O rio velho nos casarios nem descabelava pedras. Nos vasilhames de velharias e eras, às famílias fantasmas, em paredes-mesas postas, servia licores de líquenes. Um dia choveu na noite quebradiça, secular. O grande porte do espaço se partiu. O ar acidentado dos morros, as dobradiças de pedra... nenhum obstáculo: represas irregulares em disparada – reses de lama – invadiram a cidade. Paredes como ramas tombaram. Muros artríticos com juntas de rocha ruíram. A eles trouxas de sombras, seixos rio sem eixo rolaram. Partidos, vasos de rosas e poças. Jarros jorraram pétalas de barro pelos bueiros. A hemorragia de ruídos do rio trincou o piso das ruas. Agora quintais paralisados. A cidade pende de um lado, do outro, tombada. Restou uma gota de lama no rosto de bronze da estátua revelada.   Imagem: Rio Vermelho, ...