Mário Pederneiras - Poema
Madrigal Teu olhar é tão manso, Tão de ardências febris desprevenido e leigo, Tão suave, tão bom, tão cheio de descanso; Tão sereno é teu beijo, Tão leve, tão sutil o teu próprio desejo; Tudo Em ti é tão meigo. Sentimentos e Carne, Olhar, Voz e Carinhos. Que muita vez sentindo, Junto de mim o teu aspecto lindo, Que meu amor intenso, Indômito, açulado, espera e espreita, Penso Que tu, Querida, tu, és toda feita De arminhos E veludo. Quer num suave enleio Sentimental, De idílio e de bondade, Onde somente se destaque e arda De ser querida a íntima alegria; Quer na intimidade Dominadora e treda, De um lascivo coleio, Quase de invertebrada e quase de oriental, És a mesma de sempre, aromada e macia, Oh! meu anjo de guarda! Oh! minha linda Salomé de seda! Um lago, Sem ritmos agitados, De água de b...