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Mostrando postagens de janeiro, 2012

Francisco Perna Filho - Poema

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Conhecimento natural     O que sabe da pedra, a flor, para ignorá-la? Desconhece a solidez de sua estrutura, a sua natureza de rocha, para brotar destemidamente nas brechas do asfalto, nas sacadas de prédios, desafiando o concreto, concretizando seu sonho - o de ser flor, simplesmente flor, sem compreender a dureza do que lhe é exterior. O que sabe da flor, a pedra, para deixá-la brotar no seu corpo, enraizar-se nas suas fendas, protegê-la de sua dureza, de sua empedernida existência? O que sabe da flor e da pedra, o homem, para levá-las consigo no seu momento de espanto, em pensamentos e encanto? O que sabe da flor, da pedra, e do homem, o poeta, para eternizá-los nos seus versos, a despeito dos outros homens com suas vaidades e desprezo: pela flor, pela pedra, pelo homem. Imagem retirada da Internet: flor na pedra

Luiz Vaz de Camões - Poema

Alma minha gentil, que te partiste Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida descontente, Repousa lá no Céu eternamente, E viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etério, onde subiste, Memória desta vida se consente, Não te esqueças daquele amor ardente Que já nos olhos meus tão puro viste. E se vires que pode merecer-te Alguma cousa a dor que me ficou Da mágoa, sem remédio, de perder-te; Roga a Deus que teus anos encurtou, Que tão cedo de cá me leve a ver-te, Quão cedo de meus olhos te levou.