domingo, 12 de agosto de 2012


PAI



Meu Pai,
ontem, eu sonhei contigo,
caminhávamos juntos,
Eu e Você,
como antigamente:
eu menino,
adolescente,
rapaz,
adulto.
trocamos confidências,
falamos sobre tantas coisas...
Sinto saudades de ti,
da tua nobreza,
do teu carinho,
da tua repreensão.
Vejo-te no semblante do meu filho,
No silêncio da tua casa,
Nas plantas que cultivaste,
como elas floresceram:
canela, cravo da índia, begônias,jasmins.
Sinto falta da tua criatividade,
tua alma de artista,
tua inteligência e caráter.
Os pássaros continuam a visitar-te,
mesmo na ausência física,
eles te percebem:
em cada canto,
em cada abrigo que para eles construíste.
Sinto a saudade dos nossos natais,
como eram lindos os presépios que construías,
o ritual da árvore enfeitada,
quando saíamos ao mato para buscar os galhos secos,
que seriam revestidos de algodão e tantos enfeites.
Lembro-me dos bailes que promovias,
dos carnavais,
das vesperais,
das máscaras enormes que criavas
para enfeitar o Iracema Club:
Barro de louça,
jornal,
cola e tinta.
Amado Pai,
De quem herdei o nome e a estrada,
mais do que saudade e lembrança,
pelos 90 anos que completarias hoje,
fica a certeza do imorredouro amor que nos une,
e o indelével traço da tua alma nos meus passos.