sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Eugénio de Andrade - Poema


Francisco de Goya "O Sono da razão produz monstros" (1797
Passamos pelas coisas sem as ver



Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.