José Fernandes - Poema
PÁSCOA Eu não vejo sua face, a olhos vistos; mas ele me vê e me conduz por essa estrada torta, a que faz reta e plana, porque tenho de caminhar mesmo sem saber o ponto da encruzilhada com suas múltiplas direções. Por isso, caminho de olhos abertos, porque ele venceu a morte para me dar a vida que me faltava antes do caos e depois do pecado que trago entranhado na minha essência de homem humano. Mas, se ele me conduz, porque temer a fala e o pecado que se enrosca solerte entre as árvores do engano de Lilith enrolada em minhas pernas sequer desenhadas à sombra da lua nova? Ele me conduz, porque a cruz destronou a maçã e suas cores de pecado debuxadas pelos pés da cobra que me queria lambido pela língua bífida que morde o próprio rabo e que me quer enrolado no centro do círculo. Por isso caminho, sou homo viator, faço a minha páscoa e a minha peregrinação, nasa’, ao interior do verbo para nele me conformar em homem e em poesia nesse êxodo sem fim à Terra Prometida do reino da linguage...