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Mostrando postagens de fevereiro, 2011

Escritor e filósofo Benedito Nunes morre aos 81 anos

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Companhia das Letras Da Folha. com Ilustrada O escritor e filósofo paraense Benedito Nunes, 81, morreu na manhã deste domingo (27). Ele estava internado havia dez dias no Hospital Beneficência Portuguesa de Belém (PA). Às 20h de sábado (26), foi transferido ao CTI (Centro de Terapia Intensiva), após sofrer hemorragia no estômago, mas não resistiu. O corpo está sendo velado na igreja Santo Alexandre. Amanhã, às 9h será realizada uma missa de homenagem ao escritor e logo após, às 11h, o corpo será cremado no cemitério Max Domini, localizado no município de Marituba (20km de Belém). VIDA E OBRA Nascido em Belém em 21 de novembro de 1929, Benedito José Viana da Costa Nunes foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, posteriormente incorporada à Faculdade Federal do Pará. Por "A Clave do Poético", Nunes recebeu o prêmio Jabuti na categoria crítica literária, em 2010. No mesmo ano, ganhou o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo co...

Diléa Frate - Conto

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Palhaçada        Eram dois palhaços: o palhaço esperto e o esperto palhaço. O palhaço esperto era exatamente igual ao esperto palhaço. Impossível reconhecê-los, assim, a olho nu. O único que sabia exatamente quem era o esperto palhaço era o palhaço esperto. O palhaço esperto era responsável por todos os números engraçados do circo, enquanto o esperto palhaço apenas aproveitava do talento e semelhança do outro, para ficar fazendo micagens. Apesar da confusão, o palhaço esperto nunca se importou com as enganações do outro; ao contrário: achava graça em ver que o público se divertia, enganado pelo falso talento do outro. Já o esperto palhaço morria de inveja do talento de seu semelhante e, um dia,  durante um número perigoso de equilíbrio no fio, cortou um pedaço da rede que devia sustentar o companheiro, que caiu no chão e morreu. Ninguém pôde acusar o esperto palhaço, que, esperto, escondeu todas as provas. Conseguiu se esconder até de si mesmo. Sem...

Imortal da Academia de Letras, Moacyr Scliar, morre aos 73 anos

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Graciliano Rocha De Porto Alegre (RS) Morreu neste domingo (27) o escritor e colunista da Folha Moacyr Sclyar, 73. A morte ocorreu à 1h. Segundo o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, onde ele estava internado, Scliar teve falência múltipla dos órgãos. O velório acontece hoje na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, a partir das 14h. O escritor sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) isquêmico no dia 17 de janeiro. Ele já estava internado para a retirada de pólipos (tumores benignos) no intestino. Moacyr Scliar morreu aos 73 em Porto Alegre; corpo será velado a partir das 14h na Assembléia do RS Logo depois do AVC, o escritor foi submetido a uma cirurgia para extirpar o coágulo que se formou na cabeça. Depois da cirurgia, ele ficou inconsciente no centro de terapia intensiva. O quadro chegou a evoluir para a retirada da sedação, mas no dia 9 de fevereiro o paciente foi abatido por uma infecção respiratória e teve de voltar a ser sedado e à respira...

Maria Teresa Horta - Poema

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POEMA PARA A NOITE            Beijo    o à vontade das mãos    na imagem dos homens         O oceano    por entre o oceano         a paz estagnada    no contorno dos espelhos         Beijo-te    na terra à secreção    dos passos         ódios redondos    acuado de seios         a noite na espessura      quente    das almofadas sem manhã         a imortalidade      abortada    que mulheres conduzem    presas    pelo ventre e saciadas    de filhos         Beijo    o absoluto contido    nos objetos sem casta         a incerteza branca    das paredes    imóveis  ...

Vasco Graça Moura - Poema

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Auto-retrato com a musa 1 . vejo-me ao espelho: a cara severa dos sessenta, alguns cabelos brancos, os óculos por vezes já mais embaciados. sobrancelhas espessas, nariz nem muito ou pouco, sinal na face esquerda, golpe breve no queixo (andanças da gilette). ia a passar fumando mais uma cigarrilha medindo em tempo e cinza coisas atrás de mim. que coisas? tantas coisas, palavras e objectos, sentimentos, paisagens. também pessoas, claro, e desfocagens, tudo o que assim se mistUra e se entrevê no espelho, tingindo as suas águas de um dúbio maneirismo a que hoje cedo. e fico feito de tinta e feio. 2 quem amo o que é que pode fazer deste retrato? nem sabê-lo de cor, nem tê-lo encaixilhado, nem guardá-lo num livro, nem rasgá-lo ou queimá-lo, mas pode pôr-se ao lado e ter prazer ou pena por nos achar parecidos ou não achar. quem amo não fica desenhado, fica dentro de mim e é quando mais me apago e deixo de me ver e apenas me confundo,...

Vasco Graça Moura - Poema

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Soneto do amor e da morte quando eu morrer murmura esta canção   que escrevo para ti. quando eu morrer  fica junto de mim, não queiras ver  as aves pardas do anoitecer  a revoar na minha solidão.  quando eu morrer segura a minha mão,  põe os olhos nos meus se puder ser,  se inda neles a luz esmorecer,  e diz do nosso amor como se não  tivesse de acabar, sempre a doer,  sempre a doer de tanta perfeição  que ao deixar de bater-me o coração  fique por nós o teu inda a bater,  quando eu morrer segura a minha mão.  I n.   Antologia dos Sessenta Anos Imagem retirada da Internet: mãos dadas

Alexandre Bonafim - Poema

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          III Do poema nada nos resta a não ser essa viagem rumo aos mares, esse gosto de naufrágio ao findar das paixões, esse astrolábio partido. A leitura do poema, peixe cego, barco amputado, nada nos ensina, em nada modifica a força das marés. Rastro de espuma na pele dos acasos, o poema finca suas âncoras no sal, na eternidade, onde nossas ausências ardem o grito dos corais. O poema é nudez precária, procela sem ventos, sem nuvens. Quando nele adormecemos, acordamos com os ossos fraturados, vergastados pelas maresias. O poema é tão inútil quanto o mar ao fim da tarde. Por isso seu esplendor é límpido como a beleza da morte. Do novo livro de poemas Celebração das marés Imagem retirada da Internet: Astrolábio

Manuel Bandeira - Poema

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Versos Escritos N'água Os poucos versos que aí vão, Em lugar de outros é que os ponho. Tu que me lês, deixo ao teu sonho Imaginar como serão. Neles porás tua tristeza Ou bem teu júbilo, e, talvez, Lhes acharás, tu que me lês, Alguma sombra de beleza... Quem os ouviu não os amou. Meus pobres versos comovidos! Por isso fiquem esquecidos Onde o mau vento os atirou. Imagem retirada da Internet: folha seca

Manuel Bandeira - Poema

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SATÉLITE Fim de tarde. No céu plúmbeo A Lua baça Paira Muito cosmograficamente Satélite. Desmetaforizada, Desmitificada, Despojada do velho segredo de melancolia, Não é agora o golfão de cismas, O astro dos loucos e dos enamorados. Mas tão-somente Satélite. Ah Lua deste fim de tarde, Demissionária de atribuições românticas, Sem show para as disponibilidades sentimentais! Fatigado de mais-valia, Gosto de ti assim: Coisa em si, - Satélite. In. Estrela da vida inteira. 4.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973, p.232. Imagem retirada da Internet: Lua

Patativa do Assaré - Poema

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O PEIXE Tendo por berço o lago cristalino, Folga o peixe, a nadar todo inocente, Medo ou receio do porvir não sente, Pois vive incauto do fatal destino. Se na ponta de um fio longo e fino A isca avista, ferra-a insconsciente, Ficando o pobre peixe de repente, Preso ao anzol do pescador ladino. O camponês, também, do nosso Estado, Ante a campanha eleitoral, coitado! Daquele peixe tem a mesma sorte. Antes do pleito, festa, riso e gosto, Depois do pleito, imposto e mais imposto. Pobre matuto do sertão do Norte! Imagem retirada da Internet: Peixe In. Recanto das Letras

Célio Pedreira - Poema

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Cantiga de passarin Que tempo é esse passando ao contrário levando a gente distante bem longe. Tem jeito assim de passado e presente diz um silêncio na gente vereda. E sem dar fé a gente quer ser passarin. Imagem by O Tempo Vida: pássaro preto

Manuel Bandeira - Poema

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Minha grande ternura Minha grande ternura Pelos passarinhos mortos; Pelas pequeninas aranhas. Minha grande ternura Pelas mulheres que foram meninas bonitas E ficaram mulheres feias; Pelas mulheres que foram desejáveis E deixaram de o ser. Pelas mulheres que me amaram E que eu não pude amar. Minha grande ternura Pelos poemas que Não consegui realizar. Minha grande ternura Pelas amadas que Envelheceram sem maldade. Minha grande ternura Pelas gotas de orvalho que São o único enfeite de um túmulo. In. Jornal de Poesia Imagem retirada da Internet: passarinho morto

Manuel Bandeira - Poema

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Poema do beco Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte? — O que eu vejo é o beco In. Jornal de Poesia Imagem retirada da Internet: beco de Roma

Manuel Bandeira - Poema

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Evocação do Recife Recife Não a Veneza americana Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais Não o Recife dos Mascates Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois — Recife das revoluções libertárias Mas o Recife sem história nem literatura Recife sem mais nada Recife da minha infância A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras mexericos namoros risadas A gente brincava no meio da rua Os meninos gritavam: Coelho sai! Não sai! A distância as vozes macias das meninas politonavam: Roseira dá-me uma rosa Craveiro dá-me um botão (Dessas rosas muita rosa Terá morrido em botão...) De repente nos longos da noite um sino Uma pessoa grande dizia: Fogo em Santo Antônio! Outra contrariava: São José! Totônio Rodrigues achava sempre que era são José. Os homens punham o chapéu saíam fumando E eu tinha r...