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Mostrando postagens de junho, 2010

Roberto Penedo do Amaral - Ensaio Crítico

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GUIMARÃES ROSA Notas gramscianas sobre o grande sertão: VEREDAS Roberto Penedo do Amaral A concepção gramsciana de filosofia justifica as premissas e a conclusão do silogismo que dá título a deste artigo. Pois, para esse grande pensador marxista italiano do século passado, havemos que, em primeiríssimo lugar, buscar superar um preconceito há muito difundido em nossa cultura ocidental de que a filosofia é uma matéria demasiado hermética e que só a alguns eleitos, detentores de um saber ex traordinário, é que estaria destinado o labor com a mesma. Nesse sentido, a polêmica afirmação de Gramsci (1891-1937) de que “(...) todos os homens são ‘filósofos’ (...)” (Gramsci, p. 93) parte de fundamentos outros que uma determinada filosofia clássica teria apresentado como critérios para o estabelecimento de quem é ou não filósofo ou do que é ou não filosofia. No entanto, se a controversa tese de Gramsci não parte de um cânone clássico, também não deixa de circunscrever essa “filosofia espontânea...

Deu na Folha de São Paulo:

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Morre artista chinês Wu Guanzho ng, 90 The Ancient City of Jiaohe by Wu Guanzhong São Paulo, terça-feira, 29 de junho de 2010 Wu Guanzhong, morto na última sexta, é considerado um dos pais da arte moderna chinesa. Sua obra, que mistura técnicas ocidentais e orientais, tem se valorizado nos últimos anos. Neste mês, uma de suas pinturas, uma paisagem, foi arrematada por US$ 8,4 milhões num leilão em Pequim. Untitled (River houses) by Wu Guanzhong Wistaria by Wu Guanzhong Fonte: Folha de São Paulo . Imagens retirada da Internet:

MEMÓRIA - Entrevista com o Poeta Ruy Espinheira Filho

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“Uma poesia sem lirismo não passa de artesanato” Com a morte de Carlos Drummond de Andrade, a poesia brasileira passou a ser dominada pela figura de João Cabral de Mello Neto. O coração racionalista de Drummond deu lugar à educação pela pedra de Cabral. E a crítica, influenciada pelo concretismo dos irmãos Campos, sempre privilegiou o João Cabral do verso seco, plástico, ao João Cabral de Morte e Vida Severina, um dos mais pungentes libelos da literatura brasileira. O próprio João Cabral acabou estimulando essa preferência. Ao contrário de João Cabral, o poeta baiano Rui Espinheira Filho não tem medo do lirismo. Ele sustenta que poesia sem lirismo não é poesia, mas artesanato. Autor do livro de poesia Memória da Chuva, que foi adotado no vestibular da Universidade Federal de Goiás, Rui Espinheira Filho é jornalista e ensaísta, além de poeta. Como ensaísta publicou Forma e Alumbramento: Poética e Poesia em Manuel Bandeira (José Olympio Editora, 238 páginas, 33 reais), e Tumulto de Amo...

Jordanna Duarte - Poema

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A música que me toca Vibra em mim uma música que ecoa desde muito cedo Que ressoa desde antes, muito antes do caminho aberto Vibra em mim uma música que preenchia aquelas manhãs De sol calmo, de jardim amplo, de pés de mangueira Vibra em mim uma música que aprendeu desde cedo Como andar pelo caminho pautado A subir e descer entre espaços e linhas Vibra. Como não haveria de vibrar? Se está em mim Se não consigo caminhar senão por sons e silêncios. Vibra em mim uma música De acordes despontando, abrindo trincheiras de para sempre Para sempre em mim Acordando Ressoa, ecoa, reverbera nos meus cantos Nos meus silêncios partidos de pausas Mínimas Às vezes, agitato, tempo giusto Mas sempre em mim Vibrando Naquele quintal, onde o vento se fazia música Onde era possível, mesmo antes de conhecer o caminho, Girar num tempo que já existia desde antes Naquelas manhãs, descobrindo a feitura da escrita entre as mangueiras Nas tardes que sonorizavam a solidão De se descobrir entre intervalos, o preto ...

Sinésio Dioliveira - Crônica

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Peixe, perna e poeta Por Sinésio Dioliveira P or pouco não me engasguei no sábado passado. E talvez até coisa pior! Não foram as pernas bem lapidadas de uma moça a causa. Ela estava no restaurante onde eu me encontrava acompanhado de dois amigos, nos deliciando com um tucunaré assado. A beleza estonteante da moça não se limitava às pernas, que se destacavam e assim magnetizando muitos olhares (até femininos). Beleza nela era algo abundante. Sua boca, puro abismo de volúpia. Não vi seus olhos, estavam escondidos atrás de um Ray Ban Aviador; talvez fossem “oblíquos e dissimulados”. Vestia uma bata branca e uma bermuda jeans curta com as barras desfiadas, o que lhe dava um ar de rebelde. Interessante que os detalhes dos pés me escaparam... Foi a reação do namorado dessa moça que quase me fez engasgar. Mas, por favor, caro leitor, não se adiante na história e vá tirando conclusões precipitadas quanto a essa reação do namorado. As pernas da moça me trouxeram o “Poema de sete faces”, d...

CULTURA - DEU NA FOLHA DE SÃO PAULO

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Brasília esconde coleção de obras raras de Goethe Acervo com mais de 6.000 volumes é mantido em ambiente inapropriado Não há acesso público aos livros, cuja maioria foi editada entre 1780 e 1860; falta climatização e sistema anti-incêndio LUCAS FERRAZ DE BRASÍLIA Em um lugar que faria tremer bibliófilos, uma sala inapropriada e sem acesso público escondida em Brasília, repousa um tesouro. Trata-se de uma rara coleção, talvez a mais importante e completa da América Latina, de obras de e sobre Johann Wolfgang Goethe (1749-1832). O conjunto de livros, 6.000 volumes ligados ao maior nome da literatura alemã, foi comprado pelo governo brasileiro há quase 40 anos e, desde então, foi pouco ou nada pesquisado. Análise recente feita por um especialista a pedido do governo alemão atesta que seu estado de conservação é "sofrível". Documentos manuseados pela reportagem, elaborados há quase 30 anos, já relatavam o descaso com a obra. Repletos de mofo e empilhados de forma desorganizada em...

Joaquim Cardozo - Poema

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Elegia para os que ficaram na sombra do Mar Noite avançada, muita chuva no mar, Uivos, latidos de ventos soltos, desesperados, Vozes rezando de naufragados. Ouço que estão batendo à minha porta. São aqueles que vivem na escuridão do mar São aqueles que moram com a noite no fundo do mar E com a noite e com a chuva estão batendo à minha porta: São piratas, são guerreiros, São soldados que voltavam das Índias, São frades que iam para o Japão, São soldados, são guerreiros, São marinheiros. São eles que passam levados pelo vento Ao longo dos mocambos dos pescadores; São eles que giram como grandes e estranhas mariposas Em torno do farol. Sim, são eles que vão a estas horas, voando Nas asas da chuva e da noite e das ondas do mar. São soldados, são guerreiros São marinheiros. Praia do Farol, Olinda, 1937 In. Página do poeta Joaquim Cardozo Imagem retirada da Internet: Mar