Postagens

Mostrando postagens de abril, 2010

Brasigóis Felício - Poema

Imagem
A ÍNTIMA PÁTRIA “A pátria é o embaixo das roupas”: (1) nas personas que a levam nos dentros das partes pudendas é sentida como ruas conflagradas, ocultas à visão do público. Em nações amedrontadas do íntimo nos escondemos das duras verdades que, por cruéis, são negadas, em nossa recusa em suportá-las. Se a pátria é o que vai entre os refolhos das roupas, serve de consolo saber: “Não há uma força universal entre as pernas, a não ser a que nos habita entre as pernas”. (2) (1) Pio Vargas (2) José Ângelo Gaiarsa Imagem retirada da Internet: Sísifo

José Inácio Vieira Melo - Entrevista

Imagem
J osé Inácio Vieira de Melo acaba de lançar seu quinto livro de poesia: Roseiral . Cantado por Myriam Fraga, Astrid Cabral, Maria da Conceição Paranhos e Eliana Mara Chiossi nos textos da contracapa, orelha e posfácio, o poeta faz de seu universo um imenso jardim. Vermelho. E lança pedras como se fossem pétalas. Com a mesma disposição de Davi frente ao gigante, alça sua voz singular sobre os telhados do mundo. Nesta entrevista, ele nos fala de suas influências, processo criativo, sonhos, sertões, inveja e muitos outros assuntos ligados à arte de escrever e viver. Paremos para ouvi-lo. MAURÍCIO MELO JÚNIOR – Seu novo livro, Roseiral , seguindo a trilha de sua obra, é um diálogo entre o moderno e o arcaico. O que esperar de novo nesta conversa já tão antiga? JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO – Embora compreenda “que o novo sempre vem”, os anseios por novidades a qualquer custo não me atraem. Ainda mais quando me lembro dos versos de Sierguei Iessiênin, que dizem “Se morrer, nesta vida, não é ...

Valdivino Braz - Poema

Imagem
The Dance Of the Intellect among Words (Os Brinquedos de Jó Zezinho) - Parte II Em face do que se me oferece, passo dois dedos de prosa da província e suas diversas espécies de carrapatos, algumas carcaças de tatu-ninja, uma rima fácil e um verso fóssil: troco pelo salto-mortal duma pipoca, e um pouco de sal no algodão-doce. Oh, me não tomem por pedante ou arrogante, antes pela inquietude impertinente, ou pertinência da arte. Por cacos de bricabraque, a louça de quem brinca, Mandrake, e amiúde se corta. O corte, que importa, se a morte é a vida que nos brinca? E como figurar-se, de resto, num velório de moscas, quando se trata de uma festa que se começa onde acaba e se acaba onde começa? Riverrun, Dublin, firinfinfinnegan Se sabonete vale quanto pesa, e vale uma grosa doze dúzias, pese-me o que valha a grisalha glosa - o gozo do ferro-gusa - , e me guarde o velho anjo da vanguarda, ou valha-me zombeteira gralha: bumerangue me não jogue grogue no ringue, com a groselha de uma droga. Oh,...

PRÊMIO OFF FLIP DE LITERATURA

Imagem
Estão abertas até 31 de maio as inscrições para a quinta edição do Prêmio OFF FLIP de Literatura. Criado em 2006 como parte da programação literária da OFF FLIP, o Prêmio oferecerá aos vencedores R$ 10 mil no total, além de estada em Paraty e ingressos para mesas de debate da FLIP. Os textos serão avaliados por escritores de expressão no cenário literário brasileiro e os 30 finalistas serão publicados em uma coletânea pelo Selo OFF FLIP. O regulamento pode ser lido clicando aqui

Valdivino Braz - Poema

Imagem
Valdivino Braz The Dance Of the Intellect among Words (Os Brinquedos de Jó Zezinho) - Parte I Gertrude, Gertrude, me não ponhas em bocas matildes, pois uma rosa é uma rosa, outra coisa uma glosa, logopéia para Ezra Loomis Pound, pífias epifanias para Jesse James Joyce. A rose is a rose já é feijão com arroz, ou vinícia rosa com cirrose, e mais vale um pombo de chumbo voando rumno a Plutão, do que a glória de doze césares com osteoporose na mão. Nada de novo no frontispício das obras, além dos fátuos frangos de vanguarda e um telhado de urubus po(u)sando de pombo. Tudo redondo feito losango. O ovo é o óbvio, cuzido ou cru. A rosa é a roça do povo, a pedra, a vida, no caminho de Drummond. Oui, oui, o trem já passou por aqui - object-trouvé, dejà-vu -, c'est la vie que nem sempre é toujurs, e vamos todos plantar chuchu. Contudo, um punhado de dedos dados ao lance é olho de lince na pinça da percepção: trespassa a mesmice - insossas conversas difusas - e mostra com quantas volu...

Carlito Azevedo - Poema

Imagem
Carlito Azevedo ESTRAGADO No jardim zoológico um ganso as patas afundam na lama e ele imperial como uma macieira em flor mas está estragado como qualquer um pode ver estragado pensa que foi para isso que o resgataram do dilúvio mas não resgataram o signo estragaram o ganso In collapsus linguae , Carlito Azevedo, Editora Lynx. Imagem retirada da Internet: lenguaje

José Paulo Paes - Poema

Imagem
A Casa Vendam logo esta casa, ela está cheia de fantasmas. Na livraria, há um avô que faz cartões de boas-festas com corações de purpurina. Na tipografia, um tio que imprime avisos fúnebres e programas de circo. Na sala de visitas, um pai que lê romances policiais até o fim dos tempos. No quarto, uma mãe que está sempre parindo a última filha. Na sala de jantar, uma tia que lustra cuidadosamente o seu próprio caixão. Na copa, uma prima que passa a ferro todas as mortalhas da família. Na cozinha, uma avó que conta noite e dia histórias do outro mundo. No quintal, um preto velho que morreu na Guerra do Paraguai rachando lenha. E no telhado um menino medroso que espia todos eles; só que está vivo: trouxe-o até ali o pássaro dos sonhos. Deixem o menino dormir, mas vendam a casa, vendam-na depressa. Antes que ele acorde e se descubra também morto. In. Os melhores poemas de José Paulo Paes . Seleção Davi Arrigucci Jr.. São Paulo: Global, 2.003.