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Mostrando postagens de março, 2010

José J. Veiga - Entrevista

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Entrevista com José J. Veiga por Fabio Weintraub, Sergio Cohn e Ruy Proença * Falecido em outubro de 1999, José. J. Veiga — autor, entre outros títulos, de Cavalinhos de Platiplanto e A máquina extraviada — fala de sua infância, sua amizade com Guimarães Rosa, discorre sobre as imposturas da globalização e comenta aspectos de sua obra com os poetas Fabio Weintraub, Ruy Proença e Sérgio Cohn nesta que foi a última entrevista concedida pelo escritor. WEBLIVROS!: O senhor costuma dizer que a denominação de fantástico para a sua literatura deve ser usada com cautela. Aquela hesitação entre o natural e o sobrenatural característica do gênero fantástico, segundo Todorov, talvez não funcione aqui no Brasil, onde o fantástico está mais perto da gente... José J. Veiga : Esse fantástico precisa ser muito pensado, estudado, porque não é tão fantástico assim. É o que acontece mesmo. Por exemplo, os medos que acompanham aquelas pessoas, aquelas crianças todas, exist...

Célio Pedreira - Poema

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N ascido em Porto Nacional, no Estado do Tocantins, Célio Pedreira é uma das nossas mais autênticas vozes poéticas. Sem artificialismos poéticos, consegue traduzir o substrato tocantino com leveza e muito lirismo. Transitando muito bem pelos gêneros textuais, não se deixa aprisionar pelos modismos, pela pressa em publicar. O seu compromisso é com a poesia, com a natureza e com a cultura do Tocantins. VILA COVALESCENÇA As dobras das tardes invadindo os hábitos das calçadas viventes feito tarefa de moça a ocultar-se. Sobras de olhar e mãos desprovidas cadeira sem espaldar conversas dormidas. Tomo posse da vista para o benefício da comoção posto que sou encarregado em bocados de portos. In. drceliopedreira Imagem retirada da Internet: Olhar

Camilo Pessanha - Poema

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SAN GABRIEL (II) Vem conduzir as naus, as caravelas, Outra vez, pela noite, na ardentia, Avivada das quilhas. Dir-se-ia Irmos arando em um montão de estrelas. Outra vez vamos! Côncavas as velas, Cuja brancura, rútila de dia, O luar dulcifica...Feeria Do luar não mais deixes de envolvê-las! Vem guiar-nos, Arcanjo, à nebulosa Que do além vapora, luminosa, E à noite lactescendo, onde, quietas, Fulgem as velhas almas namoradas... - Almas tristes, severas, resignadas, De guerreiros, de santos, de poetas. In. Clepsidra. Camilo Pessanha (Parte II). São Paulo:Princípio, p.25, p.1989. Imagem retirada da Internet: CARAVELA .

Camilo Pessanha - Poema

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SAN GABRIEL (I) Inútil! Calmaria. Já colheram As velas. As bandeiras sossegaram, Que tão altas nos topes tremularam, - Gaivotas que a voar desfaleceram. Pararam de remar! Emudeceram! (Velhos ritmos que as ondas embalaram) Que cilada que os ventos nos armaram! A que foi tão longe nos trouxeram? San Gabriel, arcanjo tutelar, Vem outra vez abençoar o mar, Vem-nos guiar sobre a planície azul. Vem-nos levar à conquista final Da luz, do Bem, doce clarão irreal. Olhai! Parece o Cruzeiro do Sul! In. Clepsidra. Camilo Pessanha. (Parte I) São Paulo : Princípio,p.24, 1989. Imagem retirada da Internet: Nau

Camilo Pessanha - Poema

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Inscrição Eu vi a luz em um país perdido. A minha alma é lânguida e inerme. Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído! No chão sumir-se, como faz um verme... In. Clepsidra. Porto: Editora Nova Crítica, p11, 1989. Imagem retirada da Internet: Lua

Herberto Helder - Poema

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O Amor em Visita Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra e seu arbusto de sangue. Com ela encantarei a noite. Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher. Seus ombros beijarei, a pedra pequena do sorriso de um momento. Mulher quase incriada, mas com a gravidade de dois seios, com o peso lúbrico e triste da boca. Seus ombros beijarei. Cantar? Longamente cantar, Uma mulher com quem beber e morrer. Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave o atravessar trespassada por um grito marítimo e o pão for invadido pelas ondas, seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes ele — imagem inacessível e casta de um certo pensamento de alegria e de impudor. Seu corpo arderá para mim sobre um lençol mordido por flores com água. Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa; e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos, os bordões da melodia, a morte sobe pelos dedos, navega o sangue, desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto. — Ó cabra no vento e na urze, mulher nua s...