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Mostrando postagens de fevereiro, 2010

Morre José Mindlin - Notícia

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(1914 - 2010) O empresário morreu neste domingo, aos 95 anos. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ele estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O corpo é velado desde as 11h. Às 15h, Mindlin será levado para o cemitério Israelita da Vila Mariana, nana sul da cidade, onde ocorre o enterro. Mindlin ficou famoso por doar sua biblioteca pessoal para a Universidade de São Paulo (USP), em 2009. Até então o empresário era tido como o maior colecionador particular de livros do País. Segundo a ABL, Mindlin era o quinto ocupante da cadeira 29, eleito em 20 de junho de 2006, na sucessão de Josué Montello. Biografia Mindlin nasceu em São Paulo em 8 de setembro de 1914. Formado em direito pela Universidade de São Paulo, foi redator do jornal O Estado de S. Paulo de 1930 a 1934 e advogou até 1950, quando fundou e presidiu a Metal Leve. Foi casado com Guita Mindlin, que morreu em 25 de junho de 2006. O casal teve quatro filhos: a antropóloga Betty, a designer Diana, o eng...

Aleksander Wat - Poema

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Poeta O poeta é aquele, pensei, que veio sem ser convidado para o banquete dos Filistinos? E colocou-se à cabeceira da mesa, o cabelo feito um capacete, oh, como domina a assembléia dos Filistinos armados! Ele chega de partes onde nenhum deles esteve e nunca estará. Onde as coisas finais chocam-se e fendem como montanhas glaciais e afundam ou, ou vão flutuando embora ao encontro de novos nascimentos e pores do sol, que nenhum deles verá. Ele podia levar diante de si seu desprezo como duas tocha - mas num olho incandesceu amor e noutro fúria. Ele podia, dos pássaros assados sobre travessas de ouro, predizer-lhes seu triunfo, ou sua derrota. Derrota, muitas derrotas. Ele podia gritar e com seu punho de pedra partir suas mesas ao meio, rasgar suas armaduras de cobre. Porque veio sem se deixar convidar... Ou - podia ele mesmo assumir a forma de uma cerceta branca e com um só movimento das asas voar embora, depois cair como pedra nas águas negras nas ondas escarlates do Estige... Ou, ounas ...

Aleksander Wat - Poema

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Aleksander Wat (1900-1967) Vésperas em Notre-Dame Entra na catedral ao crepúsculo de verão quando tocam Bach: sois tranquille sois tranquille, mon âme... O coral dos vitrais, o luzir das coroas, línguas chamejantes de cem mil velas agitarão no ar aquele pólen de cor, laicizado de maneira tão chã pelos pintores pós-impressionistas... Não, não é isso! A luz - Espírito Santo irrompeu como tempestade através do vidro e do chumbo. E quando se mistura com a harmonia de Bach, suscita no ar gamas de cores, onde cada cor é fogo diferente, éon sonoro nos prismas do fogo coral das cores, canto das chamas, nuvem dos sons no fogo da catedral. É fogo vivo. Renasce nele a alma acossada. Fênix morta. Sois tranquille, mon âme...Sei ruhig, mein' Seel', sei ruhig Tradução de ZBIGNIEW WÓDKOWKI (Com modificações; Aproximações, Brasília/Lisboa/Cracóvia, n.4, 1990.) In. Revista Poesia Sempre. nº 15, ano 15. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2008,...

Célio Pedreira - Poema

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Este poema foi escolhido, pelo Ministério da Saúde, para ilustrar o livro " Saúde da Família: um retrato ". Parabéns ao poeta tocantinense, de Porto Nacional, Célio Pedreira! CANTIGAS DE ANDAR JUNTO De onde ainda nem chegamos acende o zelo de ser único na vontade de todos. Ver de frente o que acende para espalhar mais alvos. Como cada um ser junto na astúcia de entender caminho e rumo. Cada estreito nosso há de alcançar os vãos num fazer de espalhar lugares. E onde chegar serão árvores nossas mãos de uma raiz só. Dessa raiz que rompe que remove o lugar e que aprofunda em longes . Como horizonte fosse igual andar sustentamos-nos em cada olhar acendido em cada vontade de alcançar-se. Assim os gestos vão gestando os vãos como meninos nas varandas olhando para além dos muros. Posto que aqui sempre é tempo de sonhar para mais o que seja regar e brotar. Segue assim espalhando luz o que vela e o que singra. Nem par...

Exposição Lugares Alentejanos na Literatura Portuguesa

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Foto by José Ribeiro Exposição no CPF: Lugares Alentejanos na Literatura Portuguesa Inaugurar-se-á a exposição de fotografias intitulada “ Lugares Alentejanos na Literatura Portuguesa “, no dia 6 de Março de 2010, pelas 16h, no Centro Português de Fotografia (CPF), do Porto. Esta mostra resulta “do entrecruzar da palavra e do olhar sobre o passado e o presente do Alentejo, que aliam o imaginar de leituras originadas na escrita e o ler de uma crónica originada na imagem. Buscámos, primeiro, o lugar do Alentejo na obra de escritores e poetas portugueses que lhe pertencem por nascença ou adopção e em cuja prosa ou verso reside, ao longo de pouco mais de século e meio, a «viva, obsidiante memória» dos seus lugares e gentes. (…) Estes LUGARES ALENTEJANOS foram imaginados e realizados pela ESTAÇÃO IMAGEM, associação cultural sediada em Mora que, através de iniciativas pluridisciplinares de carácter documental centradas no Alentejo, se dedica a guardar, fomentar e divulgar a memória pela ima...

Sinésio Dioliveira - Poema

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Meu verbo O passarinho Na voz do meu verbo Tem ninho no meu coração. Meu verbo é transitivo Seu complemento é poesia. É alado meu verbo Seu voo não passa das árvores. Meu verbo não é soberbo A poucos ouvidos (Principalmente aos meus) Se dá por feliz. Meu verbo não se arruma olhando no espelho As palavras que o materializam Têm roupagem de lírios do campo. Foto by Sinésio Dioliveira - Todos os direitos reservados.

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) - Poema

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Álvaro de Campos Saudação a Walt Whitman Portugal Infinito, onze de junho de mil novecentos e quinze... Hé-lá-á-á-á-á-á-á! De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro, Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo, Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado, Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt, Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser... Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio, Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te, E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias, Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente. Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste, Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn Ferry dez anos antes de eu nascer, Quer pela Rua do Ouro acima pensando em tudo que não é a Rua do Ouro, E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas, De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma. Ó sempre moderno e eterno, cantor dos concretos ...