sábado, 4 de maio de 2013

Francisco Perna Filho - Poema



Foto by Francisco Perna Filho



PALMAS 


                                     Para Odir Rocha



Eu te chamo pelo nome,
Palmas, e leio, nas tuas curvas,
a geometria das ruas
e o movimento do teu povo.
Sirvo-me das cores e do destino
de uma futura metrópole
para compor este poema
que te dedico.

Sei das tuas dores,
dos desencantos,
e das linhas do teu corpo:
Teotônio Segurado,
Juscelino Kubitschek,
E de tantas outras que não sei o nome.

Sinto o teu movimento
na fluidez de automóveis e motos,
nos faróis, setas e buzinas,
a colorir-te de brilho
neste  azul febril do teu céu.

Da minha ilusória janela,
Nutro-me de esperanças
De vê-la assim tão nobre
Livre dos predadores,
Dos insensatos,
Dos falsos educadores
que segregam seus jovens
e desconhecem a flor do outro lado da rua.

Canto a tua serra,
O teu lago,
teus parques
e fontes.
Canto os teus bairros,
e choro a solidão dos desamparados.

A vida se constrói aqui:
na surpresa dos pássaros migrantes,
no sopro dos ventos gerais,
refeitos na alquimia do verbo.

Eu me alimento disso tudo
E celebro o instante
Nas tuas mãos.