terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Louise Labé - Poema


Soneto III



Ó ânsias longas, ó espera ausente,
Tristes suspiros, prantos costumeiros,
Formando em mim tantos rios e aguaceiros
De que meus olhos são fonte e nascente!

Ó crueldade, ó dureza inclemente,
Olhares pios dos astrais luzeiros,
Do coração pleno ó amores primeiros,
Quereis mais forte a minha dor ardente?

Que contra mim o Amor seu arco traga,
Que lance novos fogos, novos dardos,
Que ele se irrite, e contra mim se firme:

Tão atingida estou por tantos lados
Que, se quiser abrir-me nova chaga,
Não haverá lugar para ferir-me.



Tradução de Felipe Fortuna



In. Louise Lambé: amor e loucura. São Paulo: Siciliano, 1995, p. 174
Imagem retirada da Internet: cupido