segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Francisco Perna Filho - Poema





Francisco Perna Filho











Para lá do sem-sentido


Mar,

simplesmente o Mar,

envolto de homens

tão prenhes de si mesmos,

confortáveis nos seus assentos,

nas suas calamidades imperceptíveis,

no olhar por cima que singra o sem-sentido,

o invisível ocaso dos objetos.

Somos todos náufragos,

pálidos senhores do Agora.

Só a Arte nos tira da calamidade

de sermos tão humanos e brutos,

brocados como as velhas tabocas,

abandonados nas barrocas da nossa imaginação.

Navegar será sempre possível,

mesmo que nos tirem as rédeas,

porquanto o nosso norte está para

lá dos oceanos,

dos angicos,

dos pau d'arcos,

das sarãs.

O nosso Norte será sempre a palavra.



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