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      Direito à Literatura Por Francisco Perna Filho https://www.editoralitteralux.com.br/catalogo-titulo/ o-habito-de-examinar-minucias Para que serve a Literatura? O que ela tem a ver com o Direito ? Por que levar a sério algo que não é verdadeiro, mas que é fruto da invenção humana? Falam da necessidade da Literatura, o que isso quer dizer? Muitas interrogações para uma vida breve.Pois vamos lá. A Literatura serve para nos descobrirmos como humanos, como seres sociais críticos, para não nos deixarmos segregar, alienar, alijar. Ela tem tudo a ver com o Direito, como o Direito a tem como suporte, que o ilumina, considerando ser ela matéria do espírito, representação simbólica, criação. Mais do que isso, o Direito vem para disciplinar a vida social, buscar a convivência harmoniosa, restabelecer direitos, inclusive o direito à Literatura, que governos autoritários insistem em usurpar. Sobre esse direito, o professor Antonio Candido muito bem se manifestara a...

Valdivino Braz - Poema

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Soldado ucraniano Pavel Kuzin foi morto em Bakhmut  - Fonte BBC Ucrânia em Chamas - Século 21                               Urubus sobrevoam e pairam no céu de Goiânia. O céu, que céu? Não há céu, só o escuro sideral. Nuvens são nuvens, ao léu, níveas ou negras. Que nuvem nos encobre? De sobra, todas elas, redoma de carbono que nos rouba as estrelas. Nuvem nívea nenhuma nos quer, sequer se a queiramos. E querer nuvem negra, quem há de? Vade retro o espectro, sombra de sobressaltos. E não há destino, só desatino. Os urubus abrem asas como aeroplanos, mísseis ou foguetes, e não são poéticos. E não são mágicos, os trágicos telhados das casas cá embaixo. Planam urubus lá em cima, no cume acima do mundo pelo avesso. Cúmulos-nimbos, nuvens de chumbo. Urubus não são pombos. São negros morcegos de fogo, s(putin)iks incendiando o coração soberano da Ucrânia. Soldados de Volodymyr Zelensky resistem à insânia, artefato...

Poema - Francisco Perna Filho

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  Na Padaria Alguém disse:"frio!" retruquei, pensando que fosse comigo. "Não!", disse-me a outra, tiritando. Estendeu-me a mão. Servi-lhe café e pão. Fiquei frio, congelado. Encolhi. (uma música no rádio) Pensei comigo: "pão ou pães, é questão de opiniães". Alguém gritou: "Guimarães, volta pro livro, amanhã você tem prova." Despertei! Poema inédito @franciscopernafilho
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O céu é dos pássaros, mas a todo instante eles se chocam com aviões, no instantâneo dos sonhos, e se arrastam como cavalos selvagens. Assestei meu olhar para lá do que eu podia discernir, até atingir os seus cantos, até que um silêncio de estrondo apagasse o meu coração, quando as pedras borradas de sangue formaram dissonantes acordes como flores devotas em precipício. Eu joguei pedra nos pássaros, mas eles nunca explodiram, só aí me dei conta: Só sobraram os aviões, essas máquinas de fogo, voando a jato, num lapso de tempo, tão mortíferas como o veneno da rastejante serpente que sonhou comigo. Assim, apesar da fome que a mim me consumiu, senti inveja dos pássaros, emudecido me pus, a ouvir o lamento dos aviões, quando cruzaram o instante da minha ignorância. Agora me pergunto: para onde foram todos os passarinhos, que o meu olhar tão pálido não vê? Só ouço ruídos e um vazio de avestruz. @franciscopernafilho Foto: Os pássaros no céu - Pixabay.com

Gabriel García Márquez

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  "Sem dúvida a primeira notícia sensacional que se produziu - depois da criação - foi a expulsão de Adão e Eva do Paraíso. Teria sido uma primeira página inesquecível: Adão e Eva expulsos do Paraíso (em oito colunas). 'Ganharás o pão com o suor do teu rosto', disse Deus. - 'Um anjo com espada de fogo executou ontem a sentença e monta guarda no Éden. Uma maçã, a causa da tragédia." (Gabriel García Márquez) 10 de agosto de 1954, El Espectador, Bogotá. Trad.: Joel Silveira, Léo Schlafman, Remy Gorga, Filho. Editora Record, 2020. Foto @franciscopernafilho
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  Sentença social Fora pego cheirando cocaína, ainda que negasse. Levado para o presídio, durante anos cheirou o pó da cela, dos corredores e do pátio. Foi o que disseram. Um dia, sem que soubesse, deram-no por morto. O diário local estampou na manchete: Do pó ao pó. Texto e fotografia: @franciscopernafilho

Francisco Perna Filho

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  Purgatório A moça colhendo a bosta do cão, A mosca na boca da moça, A sopa, sem mosca e sem pão, O pão, sem mosca e sem boca. O cão, se sentindo cuidado, sente-se livre para borrar a calçada. A moça, com total afeição, contabiliza sua dura jornada. Do outro lado, na antiga estação, olhos cansados espiam assustados, É o poeta esquálido, sem eira nem beira, na fila da carne, exercitando a palavra esperança. Desenho: caneta sobre guardanapo @franciscopernafilho