VIGÊNCIA DA NOITE OU AURORA Como um pássaro que passeia devagar na estiva de um porto qualquer, olhos baços, mente esquiva, divago na sala, mirando as estrelas da noite que passa. Para ser um filósofo, em grave silêncio, me falta massa, temas eternos, mente febril, serenidade no olhar, imunidade a relógios e o grave prazer de pensar; me exprimo com o nada, atento aos estertores da vida, neste espaço que me serve de confortável guarida, para pensar em mim mesmo, amealhar meus ciclones, ruídos da alma, como quem reaviva um cemitério de clones. Como quem mira estrelas cadentes, na noite sossegada, me estiro no sofá, respiro e realinho as curvas da estrada, mais próximo de mim, inumeral, distante do mundo, sem ser nenhum gênio, mago, de pensamento profundo. Com um livro na mão, revista ou jornal, um copo de vinho, converso comigo, meus dias e noites, com saudades de mim. Ou com o que me resta de sustos, recompondo os cristais, que a vida quebrou, o vento levou e, no entanto,...