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Gilberto Mendonça Teles - Poema

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EUFEMISMO Hoje de manhã na subida de Teresópolis a natureza acordou sonolenta, enquanto fálica a Serra dos Órgãos exibia o Dedo de Deus apontando magnífico para a nuvem que foi tomando forma de mulher In. Teologia de Bolso. Goiânia: PUC Goiás/Kelps, 2009,p.96 Imagem retirada da Internet: Nuvem

Brasigóis Felício - Ensaio Crítico

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O voo camicase de pássaro só lâmina Por Brasigois Felicio Em um “voo só lâmina”, cortante e abrasadora, em seu livro O pássaro do bico de ferro ((R&F Editora, 126 pg), Maria Luísa Ribeiro apresenta à literatura poética uma obra marcante, em sua força expressiva. Em apresentação da obra, “algo pode apresentar-se extemporâneo a muitos leitores e poetas imantados pela lógica cultural rasteira de nossos dias: mas este é o tempo que vemos desenhar-se diante de nossos olhos, sobre o branco aflito da página de Maria Luísa Ribeiro. O tempo urgente da revelação”. Ainda meio tonto, da vertiginosa viagem feita aos abismos da condição humana, reconheço que para sua escritura foi preciso ter muita coragem humana, seguindo o fogo da inspiração de Prometeu, ao ousar desafiar os deuses, em sua ânsia de conhecer e revelar aos Homens os mistérios dos mundos. E o faço em um temp...

Francisco Perna Filho - Poema inédito

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POESIA Sob a luz da vela, a poesia instaura-se autônoma, no não-lugar. Não há passado, futuro ou presente, ela está no para-sempre, nos desvãos do transitório. Não traz alarde no seu grito, alimenta-se de escombros e incertezas, de becos e vielas, muros e solidões. Está ali, Aqui, Lá. Entremostra-se, na centelha de luz, no lampejo, no desejo, no precário do poeta que a traduz. Palmas, 14/03/2010 Imagem retirada da Internet: Luz

Gregório de Matos Guerra

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Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. E m cada porta um bem freqüente olheiro, Que a vida do vizinho e da vizinha Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, Para o levar à praça e ao terreiro. M uitos mulatos desavergonhados, Trazidos sob os pés os homens nobres, Posta nas palmas toda a picardia, E stupendas usuras nos mercados, Todos os que não furtam muito pobres E eis aqui a cidade da Bahia. In. UFBA Imagem: UFBA

Gregório de Matos Guerra

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À CIDADE DA BAHIA T riste Bahia! ó quão dessemelhante Estás e estou do nosso antigo estado! Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado, Rica te vi eu já, tu a mi abundante. A ti trocou-te a máquina mercante, Que em tua larga barra tem entrado, A mim foi-me trocando, e tem trocado, Tanto negócio e tanto negociante. D este em dar tanto açúcar excelente, Pelas drogas inúteis, que abelhuda, Simples aceitas do sagaz Brichote. O h se quisera Deus, que de repente, Um dia amanheceras tão sisuda Que fôra de algodão o teu capote. (Gregório de Mattos. Poemas escolhidos. Ed.de José Miguel Wisnik. São Paulo: Culrix, 1975. p.40; 42) Imagem retirada da Internet: Bahia séc. XVII

Deu na Folha de São Paulo

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São Paulo, sábado, 17 de julho de 2010 Aluno de pós poderá acumular bolsa e atividade remunerada CNPq e Capes permitirão trabalho relacionado à área de pesquisa RICARDO MIOTO DE SÃO PAULO Alunos de pós-graduação do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico) e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) poderão agora acumular suas bolsas com outras atividades remuneradas. A "antiga reivindicação dos bolsistas", nas palavras dos CNPq, foi atendida ontem, quando uma portaria assinada pelos presidentes dos órgãos, Carlos Aragão, do CNPq, e Jorge Guimarães, da Capes, foi publicada no Diário Oficial da União. A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) já adotava política semelhante para bolsistas. As atividades, porém, terão de ser aprovadas pelos orientadores e informadas aos programas de pós-graduação. Devem estar "relacionadas à área" do estudante e ser "de interesse para sua formação", ...

Lêdo Ivo - Poesia

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O portão O portão fica aberto o dia inteiro mas à noite eu mesmo vou fechá-lo. Não espero nenhum visitante noturno a não ser o ladrão que salta o muro dos sonhos. A noite é tão silenciosa que me faz escutar o nascimento dos mananciais nas florestas. Minha cama branca como a via-láctea é breve para mim na noite negra. Ocupo todo o espaço da mundo. Minha mão desatenta derruba uma estrela e enxota um morcego. O bater de meu coração intriga as corujas que, nos ramos dos cedros, ruminam o enigma do dia e da noite paridos pelas águas. No meu sonho de pedra fico imóvel e viajo. Sou o vento que apalpa as alcachofras e enferruja os arreios pendurados no estábulo. Sou a formiga que, guiada pelas constelações, respira os perfumes da terra e do oceano. Um homem que sonha é tudo o que não é: o mar que os navios avariaram, o silvo negro do trem entre fogueiras, a mancha que escurece o tambor de querosene. Se antes de dormir fecho o meu portão no sonho ele se abre. E quem não veio de dia pisando as f...