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Julio Florencio Cortázar - Última Parte

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Chegamos ao final deste belo prefácio de Omar Prego (foto). Sinceramente, a mim me foi muito gratificante poder partilhar com todos os leitores do Banzeiro essas belas páginas. Amanhã, para deleite de todos, publicarei a primeira parte de um belo ensaio sobre Madame Bovary, de Gustave Flaubert, escrito por Otto Maria Carpeaux, escritor austríaco naturalizado brasileiro. "Não se deve sacrificar a literatura à política nem banalizar a política em benefício de um esteticismo literário." Sua passagem pelo magistério tampouco parecia importar-lhe muito. Ele foi professor em Chivilcoy e em Bolívar, na província de Buenos Aires, durante sete anos, entre 1937 e 1944. Numa entrevista que concedeu a Luis Harss no final da década de 1960, ele disse o seguinte: No interior, vivi completamente isolado e solitário. Resolvi este problema, se é que se pode resolvê-lo, graças a uma questão de temperamento. Sempre fui muito voltado para dentro. Morava em pe...

Julio Florencio Cortázar

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Seguimos com o depoimento de Cortázar, quando ele reflete sobre a sua condição de intelectual latino-amaericano e toca num ponto interessantíssimo: a de quem escreve para "seu regozijo ou sofrimento pessoal", sem fazer concessão a quem quer que seja. (...) Em última instância, você e eu sabemos de sobra que o problema do intelectual latino-americano é um só, o da paz baseada na justiça social, e que as diferenças nacionais de cada um de nós só subdividem a questão, sem tirar dela seu caráter básico(...). Sob o risco de decepcionar os catequistas e os defensores da arte a serviço das massas, continuo sendo este cronópio que, como dizia no começo, escreve para seu regozijo ou sofrimento pessoal, sem a menor concessão, sem obrigações “latino-americana” ou “socialistas”, entendidas a priori como pragmáticas. E, finalmente, isto: Mas não creio, como com toda comunidade pude “crer” em outra época, que a literatura de mera criação imaginati...

Julio Florencio Cortázar

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N esta parte do texto, Omar mostra um Cortázar consciente, combativo, voltado para as causas da América Latina. Um revolucionário da política e das artes. “Suas posturas políticas e sua arte poética configuram-se nesta convicção: a imaginação, a arte, a forma são revolucionárias, destroem as convenções mortas, nos ensinam a enxergar, a pensar e a sentir de novo." (Carlos Fuentes) (...) A pesar de seus longos anos em Paris, Cortázar continuava sendo essencialmente u m argentino. Penso que isto está suficientemente claro, para que não se insista a respeito. Basta ler seus contos, seus romances e seus poemas para compreendê-lo, para espantar-se com o fato de certos espíritos estreitos terem reprovado seu afrancesamento e terem rasgado as próprias vestes, como os fariseus escandalizados. Era, claro, um argentino que tinha incorporado à sua cultura tudo o que a Europa pode oferecer – literatura, arte, música, velhas catedrais e séculos de história concentrados numa pedra coberta de li...

Julio Florencio Cortázar

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Com a sensibilidade de um grande jornalistar, Omar prego relata momentos de itimidade do autor argentino. Como o entusiasmo de Julio com o projeto da capa do livro "O s autonautas de La cosmopista" , escrito a quatro mãos com a mulher Carol Dunlop. Mostra um Cortázar sensível, reflexivo, crente na influência do astros em sua vida. “Estou agora sob a influência de uma constelação ruim. E isso, há anos. Espero que mude” Certa manhã, antes de começar a trabalhar, mostrou-me um projeto de capa da edição espanhola de Los autonautas de La cosmopista, em cuja contracapa aparece uma bela foto de Carol. Julio está sentado em primeiro plano, em sua cadeira de balanço favorita, com os braços dispostos de tal forma que a mão esquerda se levanta até seu ombro direito, ali, onde podemos imaginar que um instante estava pousada a mão direita de Carol, que está de pé, atrás da cadeira, um pouco à direita. O braço de Carol se apóia no ombro esquerdo de Julio, mas não há peso. Olhando com ate...