Murilo Mendes - Poema

 

A Criação Feminina


Cristal frio
Bebendo a eternidade
Em teus olhos translúcidos.

Na dignidade da onda
Puseste os pés de poesia
Que as fadas tornearam em séculos.

Tua asa me contorna
Criando os deuses que adejam
No jardim, no navio, no piano,
Por toda a parte onde fica
O rastro do teu fogo Fêmina.


In. As Metamorfoses. Rio de Janeiro: Record, 2002, p.129.
Imagem retirada da Internet: Deusa

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