terça-feira, 13 de setembro de 2011

Vicente Franz Cecim - Poema



Vicente Franz Cecim - Foto by Jordi Burch/Kameraphoto


MÚSICA E MUSGOS



I



Não é a água
que jorra fora de nós,
das fontes, cantantes

É
A Água

que corre do Vaso de Sombras por dentro: Rumor
da carne em seu leito

                            O Corpo,

um estado de musgo
Demanda da paz vegetal

O Corpo,
uma flauta de osso,
e aquilo é a voz dos perfumes


II




para abolir a tentação do grito,
um Animal murmura um homem escuro
para beber sem trégua uma Lágrima da estrela
chovendo sobre ti

E se ainda desabrocham a Fenda e a Senda, através da tua Lenda?
É que aqui por cima está o Tanto insuportável que a te grita: Vê sem agonia
Ainda por trás vem a Sombra
A que protege

uma
a
uma

as Ramagens gotejantes dos teus dias


III




Tenta saudar as manhãs nascentes
Se isso abrisse um olho de luz na tua pele mais ausente

E se
pisca efêmera
a tua gota perdida de sua gema gêmea,

é que um oceano oscila num sonho

os repousos que antecipam: os crepúsculos
as auroras sem poentes

e o ruído cintilante de tua sede

e a entretecida Forma que te tece: ó a Irmã Obscura, em Sua rede


In. Antônio Miranda