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Francisco Perna Filho - Poema

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Foto by Francisco Perna Filho PALMAS                                        Para Odir Rocha Eu te chamo pelo nome, Palmas, e leio, nas tuas curvas, a geometria das ruas e o movimento do teu povo. Sirvo-me das cores e do destino de uma futura metrópole para compor este poema que te dedico. Sei das tuas dores, dos desencantos, e das linhas do teu corpo: Teotônio Segurado, Juscelino Kubitschek, E de tantas outras que não sei o nome. Sinto o teu movimento na fluidez de automóveis e motos, nos faróis, setas e buzinas, a colorir-te de brilho neste  azul febril do teu céu. Da minha ilusória janela, Nutro-me de esperanças De vê-la assim tão nobre Livre dos predadores, Dos insensatos, Dos falsos educadores que segregam se...

Valdivino Braz - Conto

Adeus, Sara — Chega o dia, Sara, em que somos obrigados a tomar certas decisões na vida, a fim de modificá-la, mesmo que estas decisões não sejam inteiramente do nosso agrado, e nos entristeçam de alguma forma o coração . Quando os fatos obrigam, é preciso ser duro e encarar a realidade conforme ela é. Vai indo, não dá mais pra deixar como está e dizer que seja lá o que Deus quiser. De há muito venho querendo largar mão da enxada e arranjar outro meio de viver. Esta vida de roça não dá mais pé, ainda mais para um homem nas minhas condições, sem uma nesga sequer de terra própria, e que vive a comer o pão do Diabo em terra alheia. — Muita gente está indo embora pra cidade, como acontece todo ano, na entressafra. É o que eu também vou fazer. Não vou ficar aqui, parado, esperando pelo dia de amanhã. Esperar é pra quem pode e está com o burro na sombra. Demais, já estou farto desta labuta em troca de nada. — Não posso levar você comigo, Sara, e não quero lhe deixar ...