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Gilberto Mendonça Teles

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História Toda história tem seu texto tem seu pretexto e pronúncia. Tem seu remorso, seu sexto sentido de arte e denúncia. Tem um sujeito que a escolhe que se encolhe e se confunde: um lugar que sempre a tolhe qui tollis peccata mundi. Tem sua forma em processo, tem seu recesso e cansaço, e tem seu topo de excesso no ponto extremo do escasso. Tem sua língua felpuda, a voz aguda e afetada. R tem a essência que muda e permanece, calada. Toda história tem seu preço, tem seu começo e seu dito. É só virar pelo avesso, ler o que está subscrito. Fonte: Jornal de Poesia Imagem retirada da Internet - By Carlos Alexandre

Gilberto Mendonça Teles

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Modernismo No fundo, eu sou mesmo é um romântico inveterado. No fundo, nada: eu sou romântico de todo jeito. Eu sou romântico de corpo e alma, de dentro e fora, de alto e baixo, de todo lado: do esquerdo e do direito. Eu sou romântico de todo o jeito. Sou um sujeito sem jeito que tem medo de avião, um individualista confesso, que adora luares, que gosta de piqueniques e noitadas festivas, mas que vai se esconder no fundo dos restaurantes. Um sujeito que nesta recta de chegada dos cinquenta sente que seu coração bate tão velozmente que já nem agüenta esperar mais as moças da geração incerta dos dois mil. Vejam, por exemplo, a minha carta de apaixonado, a minha expressão de timidez, as minhas várias tentativas frustradas de D.Juan. Vejam meu pessimismo político, meu idealismo poético, minhas leituras de passatempo. Vejam meus tiques e etiquetas, meus sapatos engraxados, meus ternos enleios, meu gosto pelo passado e pelos presentes, minhas cismas, e raptos. Vejam também minha l...

Rubens Jardim - Poema

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PAIXÃO 1 Nunca mais vou sair do Ajuntament de Girona . Estou à mercê dessa cidade e não vou abandonar aquilo que fui dentro de suas muralhas para penetrar no futuro essa fogueira escura. Não quero novos itinerários. Sei que existem nuevos rincones y nuevos descobrimientos. Mas eu quero ficar em Girona. Preciso descobrir entre a luz e a pedra, a mão que prende a eternidade ao nada. 2 Me deixem ficar na Catedral de Girona rodeado de vidrieras, platas repujadas, anjos e esculturas. Sei que os toques manuais dos sinos desapareceram da torre e os bronzes sagrados já não vibram ritmos tradicionais. Mas o que importa isso se aqui encontrei a proporção exata dos homens e de Deus.. 3 Em nenhum outro templo gótico eu percebi pulsar tanto a serenidade e o silêncio. Aqui até os santos imploram para não sair dos altares. 4 Nesta Igreja de Sant Feliu entre sarcófagos pagãos e cristãos eu permaneço de mãos dadas com o impossível. Até o Cristo de alabastro se comove com as palavras que ainda vivem na...

Lindolfo Bell - Poema

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RECÔNDITO IMPULSO Amadureço na palavra que amadurece. Entre fibras, sangue, desejo que intumesce. No amor onde cresço, me acresço: eis a messe. Nivelar é navalhar a liberdade. E viver é longa estrada, É recôndita vontade dita e não dita: vocábulo, coágulo. Amadurecer. Lúcido, lúdico. Na maravilha, na armadilha. Amadurecer no âmago. O âmago amado. O amargo âmago, amado. Amadurecer o âmago armado do tempo esplêndido da alegria. Mas também de tempo da amargura que estraçalha e desconfia. Amadurecer. A áspera saliência e rubra. A macia maçã do recôndito impulso. Fonte: Antônio Miranda Foto by Cristiano Gomes Mazinho

Lindolfo Bell - Poema

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PROCURO A PALAVRA PALAVRA Não é a palavra fácil que procuro. Nem a difícil sentença, aquela da morte,, a da fértil e definitiva solitude. A que antecede este caminho sempre de repente. Onde me esgueiro, me soletro, em fantasias de pássaro, homem, serpente. Procuro a palavra fóssil. A palavra antes da palavra. Procuro a palavra palavra. Esta que me antecede E se antecede na aurora De na origem do homem Procuro desenhos dentro da palavra. Sonoros desenhos, tácteis, Cheiros, desencantos e sombras. Esquecidos traços. Laços. Escritos, encantos re-escritos. Na área dos atritos. Dos detritos. Em ritos ardidos da carne e ritmos do verbo. Em becos metafísicos sem saída. Sinais, vendavais, silêncios. Na palavra enigmam restos, rastos de animais, Minerais da insensatez. Distâncias, circunstâncias, soluços, Desterro. Palavras são seda, aço. Cinza onde faço poemas, me refaço. Uso raciocínio. Procuro na razão. Mas o que se revela, arcaico, pungente, eterno e para sempre, vivo...

Amadeus Amado - Poema

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Peregrino Dá-me a tua mão, não sei ao certo para onde iremos, tampouco o que nos espera. Vivamos a incerteza desta noite de utopia. Saiamos de mãos dadas, sigamos a rota do teu olhar, a sombra do vento, os velados caminhos dessa aventura. In. A Flor Amena da Madrugada. Imagem retirada da Internet: Mãos dadas

Amadeus Amado - Poema

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Invenção Um trago a mais, uma música ao longe, um latido esparso, a solidão da sala, e a invenção da tua presença. Quantas vezes necessite, estarei contigo, sob este céu cinzento, nesta cidade transformada, ouvindo o teu coração. In. A Flor Amena da Madrugada. Imagem retirada da Internet: sob o céu cinzento