Antônio Ramos Rosa - Poema
Maio de 68 As linhas, mil linhas, novas linhas do ar que circula numa língua desligada, de uma fábrica de ervas violentas, jovens, nutrindo o pulso e os membros, água de silêncio, no ar agora, nas avenidas abertas ao silêncio, nas pedras sem memória, sem medo, vitória que se perde na frescura rápida, princípio irrefragável desvanecido, vindo, lanço a fronte no ar para a linguagem viva que respira na espessura fragmentada morta perseguida no vazio, obscura carga, peso de um olhar, de uma boca ávida sem passado, no entusiasmo irreparável da língua por viver do corpo imediato no centro - turbilhão - da árvore. Terra, o solo comum, originário, em que descalços surgir, ó boca, surgir como só um de nós, na praia de um presente aberto, o vulcão surdo convertido em jorro de ar, a boca restituída ao corpo, a língua dada ao ar, ao sopro de um corpo a renascer, razão livre desde sempre, ignota, desde sempre a única razão, anterior chama de ar submersa, que nos lábios soçobra, agora se levanta, fr...