Postagens

Luiz de Miranda - Eu te devolvo

Imagem
Luiz de Miranda Eu te devolvo Eu te devolvo o vento que aquele dia, diante do mar, nos ensinou as pequenas vagas das marés. Mas não o livro onde escreveste em teu coração os navios perdidos. In. Poesia Reunida. Porto Alegre: Instituto Estadual do Livro, 1992, P.98. Imagem: http://hilceliafalcao.files.wordpress.com/2009/06/img_0415.jpg

Luiz de Miranda - Amor de Amar

Imagem
Nos últimos dias, postei alguns poemas de Pablo Neruda, Gerardo Mello Mourão e Olavo Bilac, grandes nomes da poesia universal, todos bem conhecidos e estudados. Hoje, trago para vocês um dos maiores poetas deste País: Luiz Carlos Goulart de Miranda , nascido a 6 de abril de 1945, à beira do Rio Uruguai, Uruguaiana- RS. Boa Leitura! Amor de Amar Dispo-me dos pudores da forma coloco meu ouvido no teu peito e deixo-me levar na emoção de quem procura teu rosto na sombra e te purifica te revela te orvalhece te incendeia e comparece em ti com estas palavras trazidas da alma Se chegarei à poesia não o sei apenas escrevo estas linha na água para brilhar no céu um dia recolhidas pelas nuvens ou espremidas a longo véu das chuvas Agora desliza minha mão a auscultar a memória da tua pele a viver nela o tempo impensado dos navios perdidos viver na tua pele todos os naufrágios e renascer na palma do amanhecer Agora a vida é renascer sempre em ti Um pensamento fugidio às festas da aurora é teu nome e...

Delírio 0 Olavo Bilac

Imagem
Olavo Bilac Delírio Nua, mas para o amor não cabe o pejo Na minha a sua boca eu comprimia. E, em frêmitos carnais, ela dizia: – Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo! Na inconsciência bruta do meu desejo Fremente, a minha boca obedecia, E os seus seios, tão rígidos mordia, Fazendo-a arrepiar em doce arpejo. Em suspiros de gozos infinitos Disse-me ela, ainda quase em grito: – Mais abaixo, meu bem! – num frenesi. No seu ventre pousei a minha boca, – Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca, Moralistas, perdoai! Obedeci... Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh4iWP1YXgQK4yjFTeZ9R0SgV4onTm4GZ4YXNkRHD4Z9LiLVvFOUOu7oQRsfaBu_6tENc-f1v1yk-GGkax5HHuVzjLr8K6_gA2aXWXT4WpSTOMQijQNm13LmSsH5VYYWzvJy11U1c-mDUNp/s1600-h/Nua.jpg

Cânon & Fuga - Gerardo Mello Mourão

Imagem
Gerardo Mello Mourão O QUE AS SEREIAS DIZEM A ORFEU NA NOITE DO MAR . (Sobre a frase musical de Ivar Frounberg "Was sagen die Sirenen als Odysseus vorbei segelte".) Ninguém jamais ouviu um canto igual ao canto que te canto escuta: as ondas e os ventos se calaram e a noite e o mar só ouvem minha voz - a noite e o mar e tu marinheiro do mar de rosas verdes: virás: é um leito de rosas e lençóis de jasmim mais o lençol de aromas de meu corpo e dormirás comigo e os que dormem com deusas deuses serão - verás cada arco de minhas curvas à forma de teu corpo moldaremos - e a pele tua aprenderá da minha aroma e maciez e música e entre garganta e nuca aprenderás a noite dos que dormem a aurora dos que acordam sobre os seios das deusas também deuses. Vem dormir comigo e comigo e todas as sereias. Todas as deusas se entregam ao amante que um dia possuiu uma deusa e então todas as fêmeas dos homens Helenas, Briseidas e a Penélope tua hão de implorar às Musas - e as Musas a Eros e Afrodite...

Farewell - Pablo Neruda

Imagem
Pablo Neruda Farewel Desde el fondo de ti, y arrodillado, un niño triste como yo, nos mira. Por esa vida que arderá en sus venas tendrían que amarrarse nuestras vidas. Por esas manos, hijas de tus manos, tendrían que matar las manos mías. Por sus ojos abiertos en la tierra veré en los tuyos lágrimas un día. Yo no lo quiero, Amada. Para que nada nos amarre que no nos una nada. Ni la palabra que aromó tu boca, ni lo que no dijeron tus palabras. Ni la fiesta de amor que no tuvimos, ni tus sollozos junto a la ventana. Amo el amor de los marineros que besan y se van. Dejan una promesa. No vuelven nunca más. En cada puerto una mujer espera: los marineros besan y se van. (Una noche se acuestan con la muerte en el lecho del mar.) Amo el amor que se reparte en besos, lecho y pan. Amor que puede ser eterno y puede ser fugaz. Amor que quiere libertarse para volver a amar. Amor divinizado que se acerca Amor divinizado que se va. Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos, ya no se endulzará junto a ...

The bird - Poema

Imagem
Francisco Perna Filho The bird Sees the city. Slowly / deadly dives. The bird is of metal and only notices its own flight, disregarding the colors and dreams it carries. The bird sees but doesn´t listen. The city listens but doesn´t see. Life copies art: the bird burns up in flames, the city cries debris.” ( versão de Ricardo Kazuo ) Imagem: http://blogdaebi.files.wordpress.com/2009/06/paz_72354730.jpg

Ferreira Gullar - 79 anos - Parabéns!

Imagem
Ferreira Gullar Traduzir-se Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir uma parte na outra parte — que é uma questão de vida ou morte — será arte? De Na Vertigem do Dia (1975-1980) - Jornal de Poesia - http://www.revista.agulha.nom.br/gula.html#traduzir Imagem: http://h2.vibeflog.com/2007/04/29/12/16853696.jpg