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Mostrando postagens de junho, 2015

Paulo Aires Marinho - Crônica

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Paulo Aires SONHOS SUSPENSOS NO ANZOL Os pescadores da ponte sobre o Lago de Palmas , como os admiro! Toda vez que passo por ali à noite, ao ver mulheres, homens e crianças, praticando esse ofício da paciência, volto ao universo imaginário dos rios, do mar e seus habitantes ocultos. Todo peixe é místico e é malandro, tem cara de malandro, olhos de malícia, brinca e esnoba da isca, depois deve esconder-se em alguma loca, atrás de pedras e paus, zombando do pescador sem traquejo. Peixe exerce beleza incapturável. Acho engraçado quando dizem que uma pessoa apaixonada fica com olhos de peixe morto; e me pergunto: de que nação de águas turvas ou límpidas contraímos esse desassossego ardente que afeta o coração e os olhos? Gosto de histórias de pescador, mentiras movediças, invencionices estapafúrdias que rendem gargalhadas, complicações amorosas, pérolas para a vasta enciclopédia popular de aventuras improváveis. Na TV, essa ficção de canoa furada valeria muito mais...

REVISTA BANZEIRO - a poesia em movimento: Poema de Pedro Tierra (Hamilton Pereira)

Poema de Pedro Tierra (Hamilton Pereira)

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Pedro Tierra A morte anunciada de Josimo Tavares 1. Há um dizer antigo entre os homens da raça dos rios: a morte quando se anuncia, devora a sombra do corpo e inventa a luz da solidão. Você se afastou sob o sol. Era 14 de abril. Busquei-lhe a sombra sobre o chão da rua e não havia sombra. Ainda busquei tocá-lo. Falamos da vida                e da morte (a arma que me matará já está na oficina...) E você sorria manso desde a defendida solidão dos místicos. Falamos da luta e da necessidade de prosseguir (os tecelões da morte forçam os teares, arrematam os fios do tecido que te cobrirá...) Imagem: http://www.torange-pt.com 2. Incendiaram nossas casas. Destruíram plantações. Saquearam celeiros. Derrubaram cocais. Envenenaram as águas. Invadiram povoados. Torturaram nossos pais. Arrancaram as orelhas dos mortos. Atiraram ...

Um Escritor em Ascensão. Entrevista com o Premiado Jádson Barros.

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   Escritor Jádson Barros Neves - Arquivo Pessoal           Tocantinense de Guaraí, Jádson Barros Neves vem se consolidando como um dos nossos melhores ficcionistas. Autor do livro Consternação, com o qual foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura, ele já conquistou mais de uma dezena de prêmios, dentre eles, o "Prêmio Cidade de Belo Horizonte",  o "Prêmio João Guimarães Rosa", da RFI.  Nesta entrevista, com exclusividade para Revista Banzeiro, ele fala da infância, das leituras formadoras, e da paixão pela escrita.                                          "Posso ser um escritor conhecido hoje e esquecido amanhã. Veja o caso do português Cardoso Pires, por exemplo. Vivemos numa sociedade que atribui o sucesso de uma pessoa ao barulho que ela faz. Seria o livro “A civilização do espetáculo”, no livro de Vargas Llo...