Paulo Aires Marinho - Crônica
Paulo Aires SONHOS SUSPENSOS NO ANZOL Os pescadores da ponte sobre o Lago de Palmas , como os admiro! Toda vez que passo por ali à noite, ao ver mulheres, homens e crianças, praticando esse ofício da paciência, volto ao universo imaginário dos rios, do mar e seus habitantes ocultos. Todo peixe é místico e é malandro, tem cara de malandro, olhos de malícia, brinca e esnoba da isca, depois deve esconder-se em alguma loca, atrás de pedras e paus, zombando do pescador sem traquejo. Peixe exerce beleza incapturável. Acho engraçado quando dizem que uma pessoa apaixonada fica com olhos de peixe morto; e me pergunto: de que nação de águas turvas ou límpidas contraímos esse desassossego ardente que afeta o coração e os olhos? Gosto de histórias de pescador, mentiras movediças, invencionices estapafúrdias que rendem gargalhadas, complicações amorosas, pérolas para a vasta enciclopédia popular de aventuras improváveis. Na TV, essa ficção de canoa furada valeria muito mais...