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Mostrando postagens de maio, 2011

Oliverio Girondo - Poema

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No soy quien escucha... No soy quien escucha ese trote llovido que atraviesa mis venas. No soy quien se pasa la lengua entre los labios, al sentir que la boca se me llena de arena. No soy quien espera, enredado en mis nervios, que las horas me acerquen el alivio del sueño, ni el que está con mis manos, de yeso enloquecido, mirando, entre mis huesos, las áridas paredes. No soy yo quien escribe estas palabras huérfanas. Imagem retirada da Internet: livro

Oliverio Girondo - Poema

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No se me importa un pito que las mujeres... No se me importa un pito que las mujeres tengan los senos como magnolias o como pasas de higo; un cutis de durazno o de papel de lija. Le doy una importancia igual a cero, al hecho de que amanezcan con un aliento afrodisíaco o con un aliento insecticida. Soy perfectamente capaz de sorportarles una nariz que sacaría el primer premio en una exposición de zanahorias; ¡pero eso sí! -y en esto soy irreductible- no les perdono, bajo ningún pretexto, que no sepan volar. Si no saben volar ¡pierden el tiempo las que pretendan seducirme! Ésta fue -y no otra- la razón de que me enamorase, tan locamente, de María Luisa. ¿Qué me importaban sus labios por entregas y sus encelos sulfurosos? ¿Qué me importaban sus extremidades de palmípedo y sus miradas de pronóstico reservado? ¡María Luisa era una verdadera pluma! Desde el amanecer volaba del dormitorio a la cocina, volaba del comedor a la despensa. Volando me preparaba el baño, ...

Raul de Leôni - Poema

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Canção de todos Duas almas deves ter... É um conselho dos mais sábios; Uma, no fundo do Ser, Outra, boiando nos lábios! Uma, para os circunstantes, Solta nas palavras nuas Que inutilmente proferes, Entre sorrisos e acenos: A alma volúvel da ruas, Que a gente mostra aos passantes, Larga nas mãos das mulheres, Agita nos torvelinhos, Distribui pelos caminhos E gasta sem mais nem menos, Nas estradas erradias, Pelas horas, pelos dias... Alma anônima e usual, Longe do Bem e do Mal, Que não é má nem é boa, Mas, simplesmente, ilusória, Ágil, sutil, diluída, Moeda falsa da Vida, Que vale só porque soa, Que compra os homens e a glória E a vaidade que reboa Alma que se enche e transborda, Que não tem porquê nem quando, Que não pensa e não recorda, Não ama, não crê, não sente, Mas vai vivendo e passando No turbilhão da torrente, Través intrincadas teias, Sem prazeres e sem mágoas. Fugitiva como as águas, Ingrata como as areias. Alma que passa entre...

Raul de Leôni - Poema

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Ciganos Lá vêm os saltimbancos, às dezenas Levantando a poeira das estradas. Vêm gemendo bizarras cantilenas, No tumulto das danças agitadas. Vêm num rancho faminto e libertino, Almas estranhas, seres erradios, Que tem na vida um único destino, O Destino das aves e dos rios. Ir mundo a mundo é o único programa, A disciplina única do bando; O cigano não crê, erra, não ama, Se sofre, a sua dor chora cantando. Nunca pararam desde que nasceram. São da Espanha, da Pérsia ou da Tartária? Eles mesmos não sabem; esqueceram A sua antiga pátria originária... Quando passam, aldeias, vilarinhos Maldizem suas almas indefesas, E a alegria que espalham nos caminhos É talvez um excesso de tristezas... Quando acampam de noite, é no relento, Que vão sonhar seu Sonho aventureiro; Seu teto é o vácuo azul do Firmamento, Lar? o lar do cigano é o mundo inteiro. Às vezes, em vigílias ambulantes, A noite em fora, entre canções dalmatas, Vão seguindo ao luar, vão deli...

Mécia Rodrigues - Ensaio Poético

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La Bohème para Egle Gruppi Turini, minha avó Alguma coisa lírica soou na minha memória, quando entrei na Barão de Itapetininga, em meio à profusão dos pisca-piscas, à polifonia própria de dezembro e à infinita variedade de quinquilharias pelas vitrinas úmidas e garoentas. As palmeiras do Vale, a enorme árvore de natal ali montada, o Theatro Municipal. 2 Sabonetes em formato de noz. Da Kanitz. Havia as caixas grandes, com três, e a pequenas, com um. As caixas verde-claro, enfeitadas com papel transparente picado. No meio dele se acomodavam as nozes-sabonetes. E também havia as caixas de talco, de madrepérola, com esponjas tão leves que pareciam flutuar. E os chocolates da Kopenhagen. 3 O circo de Moscou, os doces sírios da ladeira Porto Geral, Os três mosqueteiros, O cavaleiro da máscara de ferro, Miguel Strogoff. As fotonovelas dos dias chuvosos, quando a máquina de costura deixava de ser pedalada. A caneta preta, de pena de irídio, do meu avô. 4 Subi até a Sete de Abril e...

Nelson Ascher - Poema

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Hölderlin para Antonio Medina Rodrigues Luz não se vê tão límpida quanto, inundando a casa, aquela que extravasa fugaz de qualquer lâmpada que, de repente, exalte- -se e atinja, por um átimo, à beira do blecaute mais último, seu ótimo. Cega ao fulgor, a orelha talvez capte de esguelha um ultra-som que, esgar- çador como um lamento, provém do filamento no afã de se queimar.   Imagem retirada da Internet: filamento In. Jornal de Poesia

Mário Quintana - Poema

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O mapa Olho o mapa da cidade Como quem examinasse A anatomia de um corpo... (E nem que fosse o meu corpo!) Sinto uma dor infinita Das ruas de Porto Alegre Onde jamais passarei... Ha tanta esquina esquisita, Tanta nuança de paredes, Ha tanta moca bonita Nas ruas que não andei (E há uma rua encantada Que nem em sonhos sonhei...) Quando eu for, um dia desses, Poeira ou folha levada No vento da madrugada, Serei um pouco do nada Invisível, delicioso Que faz com que o teu ar Pareça mais um olhar, Suave mistério amoroso, Cidade de meu andar (Deste já tão longo andar!) E talvez de meu repouso... Imagem retirada da Internet: Porto Alegre

Francisco Perna Filho - Poema

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By Sinésio Dioliveira Borboleta não é flor que se cheire, é voo, eflúvio de céu, sentença de várzea, abismo de horizontes.

Salgado Maranhão - Poema

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DESLIMETES 10 (táxi blues) eu sou o que mataram e não morreu, o que dança sobre os cactos e a pedra bruta          — eu sou a luta. O que há sido entregue aos urubus, e de  blues          em           blues endominga as quartas-feiras          — eu sou a luz sob a sujeira. (noite que adentra a noite e encerra os séculos, farrapos das minhas etnias, artérias inundadas de arquétipos) eu sou ferro, eu sou a forra. E fogo milenar desta caldeira elevo meu imenso pau de ébano obelisco às estrelas. eh tempo em deslimite e desenlace! eh tempo de látex e onipotência! leito de terra negra sob a água branca, seu a lança a arca do destino sobre os búzios. e de blues  a  urublues ouça a moenda dos novos senhores de escravos com suas fezes de ouro com seus corações de escarro. eh temp...

Carlos Drummond de Andrade - Poema

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Canção da Moça-Fantasma de Belo Horizonte Eu sou a Moça-Fantasma que espera na Rua do Chumbo o carro da madrugada. Eu sou branca e longa e fria, a minha carne é um suspiro na madrugada da serra. Eu sou a Moça-Fantasma. O meu nome era Maria, Maria-Que-Morreu-Antes. Sou a vossa namorada que morreu de apendicite, no desastre de automóvel ou suicidou-se na praia e seus cabelos ficaram longos na vossa lembrança. Eu nunca fui deste mundo: Se beijava, minha boca dizia de outros planetas em que os amantes se queimam num fogo casto e se tornam estrelas, sem irônia. Morri sem ter tido tempo de ser vossa, como as outras. Não me conformo com isso, e quando as polícias dormem em mim e foi-a de mim, meu espectro itinerante desce a Serra do Curral, vai olhando as casas novas, ronda as hortas amorosas (Rua Cláudio Manuel da Costa), pára no Abrigo Ceará, nao há abrigo. Um perfume que não conheço me invade: é o cheiro do vosso sono quente, doce, enrodilhado...

Carlos Drummond de Andrade - Poema

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ODE NO CINQUENTENÁRIO DO POETA BRASILEIRO Esse incessante morrer que nos teus versos encontro é tua vida, poeta, e por ele te comunicas com o mundo em que te esvais. Debruço-me em teus poemas e nelo percebo as ilhas em que nem tu nem nós habitamos (ou jamais habitaremos!) e nessas ilhas me banho num sol que não é dos trópicos, numa água que não é das fontes mas que ambos refletem a imagem de um mundo amoroso e patético. Tua violenta ternura, tua infinita polícia, tua trágica existência no entanto sem nenhum sulco exterior – salvo tuas rugas, tua gravidade simples, a acidez e o carinho simples que desbordam em teus retratos, que capturo em teus poemas, são razões por que te amamos e por que nos fazes sofrer… Certamente não sabias que nos fazes sofrer. É didícil explicar esse sofrimento seco, sem qualquer lágrima de amor, sentiment de homens juntos, que se comunicam sem gesto e sem palavras se invadem, se aproximam, se compreendem e se calam ...

Murilo Mendes - Poema

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Murilograma para Mallarmé  No oblíquo exílio que te aplaca Manténs o báculo da palavra Signo especioso do Livro Inabolível teu & da tribo A qual designas, idêntica Vitoriosamente à semântica Os dados lançando súbito Já tu indígete em decúbito Na incólume glória te assume MALLARMÉ sibilino nome In. Convergência . São Paulo:Duas Cidades, 1970. Omagem retirada da Internet: Mallarmé

Rubem Braga - Poema

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POETA CRISTÃO A poesia anda mofina,  Mofina, mas não morreu.  Foi o anjo que morreu:  Anjo não se usa mais.  Ainda se usa estrela  Se usa estrela demais. Poeta religioso  Mocinha não pode ler:  Pecará em pensamento,  Que o poeta gosta do Novo,  Mas pilha seus amoricos  É no Velho Testamento. Ai, o Velho Testamento!  Eu também faço poema,  Ora essa, quem não faz:  Boto uma estrela na frente  E um pouco de mar atrás. Boto Jesus de permeio  Que Deus, nos pratos de amor,  É um excelente recheio.  E isso bem posto e disposto  Me vou aos peitos da Amada:  Sulamita, Sulamita,  Por ti eu me rompo todo,  Sou cavalheiro cristão.  Minh’alma está garantida  Num rodapé do Tristão  E o corpo? O corpo é miséria,  Peguei doença, mas Jorge  de Lima dá injeção! O badalo está chamando,  Bão-ba-la-lão. Amada, não vai lá não!  Eu também tenho badalos –  Bã...

Ivan Serguêievitch Turguêniev - Conto

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O ENCONTRO U m dia de outono, em meados de setembro, eu repousava num bosque de bétulas. O tempo estava in­certo: desde manhã, uma chuva fina alternava com um sol quente. O céu coberto de ligeiras nuvens brancas, clareava por momentos, e deixava entrever uma nesga de azul acariciador como um belo olhar. Imóvel, eu era todo olhos e ouvidos. Por cima de mim as folhas mal se agitavam, e esse pequeno ruído bastaria para precisar a estação. Não era, com efeito, nem a palpitação álacre e risonha da primavera, nem o doce e longo murmúrio do verão, nem o balbucio tímido e frio do outono, mas uma espécie de gorjeio em surdina. Uma brisa ligeira alisava o cimo das árvores. A floresta molhada mudava a todo momento de aspecto, conforme o sol brilhava ou se escondia. Por vezes, ela se iluminava, e tudo então parecia de súbito sorrir: os troncos das bétulas esparsas ganhavam reflexos de cetim branco; as folhas caídas rebrilhavam como ouro rutilante; os altos penachos dos fetos, já cobertos...

Giovanni Papini - conto

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HISTÓRIA COMPLETAMENTE ABSURDA Há quatro dias, estando a escrever com uma ligeira irritação, algumas das páginas mais falsas das minhas memórias, ouvi bater levemente à porta, mas não me levantei nem respondi. As pancadas eram demasiado fracas e não gosto de lidar com tímidos.  No dia seguinte, à mesma hora, ouvi novamente bater; desta vez, as pancadas eram mais fortes e decididas. Mas também não quis abrir, pois não aprecio absolutamente nada os que se corrigem com demasiada pressa. No terceiro dia, sempre à mesma hora, as pancadas foram repetidas de forma violenta e antes que pudesse levantar-me vi a porta abrir-se e entrar a medíocre figura de um homem bastante jovem, com o rosto um tanto afogueado e a cabeça coberta por cabelos ruivos e crespos, inclinando-se canhestramente, sem nada dizer. Mal viu uma cadeira, atirou-se-lhe para cima e como eu continuasse de pé indicou-me o cadeirão para que me sentasse. Tendo-lhe obedecido, julguei-me no direito de lhe perguntar quem...

Álvares de Azevedo - Poema

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SOLIDÃO Nas nuvens cor de cinza do horizonte A lua amarelada a face embuça; Parece que tem frio e, no seu leito, Deitou, para dormir, a carapuça. Ergueu-se... vem da noite a vagabunda Sem xale, sem camisa e sem mantilha, Vem nua e bela procurar amantes... — É doida por amor da noite a filha. As nuvens são uns frades de joelhos, Rezam adormecendo no oratório... Todos têm o capuz e bons narizes E parecem sonhar o refeitório. As árvores prateiam-se na praia, Qual de uma fada os mágicos retiros... Ó lua, as doces brisas que sussurram Coam dos lábios teus como suspiros! Falando ao coração... que nota aérea Deste céu, destas águas se desata? Canta assim algum gênio adormecido Das ondas mortas no lençol de prata? Minh'alma tenebrosa se entristece, É muda como sala mortuária... Deito-me só e triste sem ter fome Vendo na mesa a ceia solitária. Ó lua, ó lua bela dos amores, Se tu és moça e tens um peito amigo, Não me deixes assim dormir solteiro, À me...

Paul-Marie Verlaine - Poema

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ARTE POÉTICA Antes de qualquer coisa, música e, para isso, prefere o Ímpar mais vago e mais solúvel no ar, sem nada que pese ou que pouse. E preciso também que não vás nunca escolher tuas palavras em ambigüidade: nada mais caro que a canção cinzenta onde o Indeciso se junta ao Preciso. São belos olhos atrás dos véus, é o grande dia trêmulo de meio-dia, é, através do céu morno de outono, o azul desordenado das claras estrelas! Porque nós ainda queremos o Matiz, nada de Cor, nada a não ser o matiz! Oh! O matiz único que liga o sonho ao sonho e a flauta à trompa. Foge para longe da Piada assassina, do Espírito cruel e do Riso impuro que fazem chorar os olhos do Azul e todo esse alho de baixa cozinha! Toma a eloqüência e torce-lhe o pescoço! Tu farás bem, já que começaste, em tornar a rima um pouco razoável. Se não a vigiarmos, até onde ela irá? Oh! Quem dirá os malefícios da Rima? Que criança surda ou que negro louco nos forjou esta jóia barata qu...

Carlos Drummond de Andrade - Poema

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A Castidade com que Abria as Coxas A castidade com que abria as coxas e reluzia a sua flora brava. Na mansuetude das ovelhas mochas, e tão estrita, como se alargava. Ah, coito, coito, morte de tão vida, sepultura na grama, sem dizeres. Em minha ardente substância esvaída, eu não era ninguém e era mil seres em mim ressuscitados. Era Adão, primeiro gesto nu ante a primeira negritude de corpo feminino. Roupa e tempo jaziam pelo chão. E nem restava mais o mundo, à beira dessa moita orvalhada, nem destino. In. O Amor Natural. 1992. Imagem: Gustav Klimt - Mulher sentada de coxas abertas

Tzvetan Todorov - Entrevista

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                                     Entrevista originalmente publicada na  Revista Bravo . Nascido em 1939 em Sófia, na Bulgária, e naturalizado francês, o filósofo e linguista Tzvetan Todorov é um dos mais importantes pensadores do século 20. Traduzida para mais de 25 idiomas, sua obra inspira críticos literários, historiadores e estudiosos do fenômeno cultural do mundo todo. Em seu mais recente livro publicado no Brasil, A Literatura em Perigo , Todorov faz um mea culpa raro entre intelectuais. Ele diz que estudos literários como os seus, cheios de "ismos", afastaram os jovens da leitura de obras originais - dando lugar ao culto estéril da teoria. De Paris, ele falou a BRAVO! por telefone: BRAVO!: Gostaria que o sr. falasse sobre o seu primeiro contato com a literatura quando criança, ...

Hélio Pólvora - Conto

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Do Outro Lado do Rio — Ei, senhor. Sentado na popa de sua canoa, um remador fazia-me sinais há algum tempo. — Ei. — Quer atravessar? — Não sei ainda. Mais tarde. — O outro lado do rio é bonito. — É bonito ou está bonito? Ele não entendeu, ou então não quis estabelecer diferença. Para que? Miudezas. Olhava-me com ar absorto e com a paciência de quem lida com viajantes indecisos. Vi que uma barba rala e alourada cobria-lhe o rosto, e que tinha o nariz curvo. A cabeça encoberta por um chapéu de palha mostrava apenas a sombra dos olhos. Visto de perfil, parecia velho, mas ainda robusto, e com um jeito afiado de ave de rapina pousada num galho. Continuei a olhar o rio, que parecia estancado, sem correnteza, mas movimentava de leve as águas, de forma a escorrer de forma quase imperceptível. A água não estava escura ou baça, nem clara. Parecia água nova, trazida das cabeceiras onde decerto chovera. Mas não estava barrenta. Mesmo sem transparência, transmitia uma superfície...