quarta-feira, 2 de maio de 2012

Brasigois Felício - Poema


O BARRO DO TEMPO


Quem nos fez assim tão frágeis?
Como deuses erigidos
por sobre o barro do tempo,
não resistimos ao vento.

Feitos de terra e de medo
e mais o clamor aos céus,
resistimos ao cansaço
da caminhada inútil.

Quem nos fez assim tão fortes
para resistir à desavisada, ao desamor
devia nos dar coragem
(vertigem, vertente, voragem)
para enfrentar sem terror
essa miragem chamada amor
esse fantasma chamado morte.

In. Hotel do Tempo (Prêmio Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, 1979. Prefeitura de Goiânia e União Brasileira de Escritores). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/Massao Ohno, 1981,p.181.

Imagem retirada da Internet: homem de barro.