sexta-feira, 6 de maio de 2011

Miguel Jorge - Poema







Voz


           
Tua voz
minha voz
nossa voz
ó tu divina voz!
Sempre viva quase morta
vigiada falseada
em seu canto primitivo
luminoso som de pétalas
que navega em mar de bocas.
Tua voz
minha voz
nossa voz
ó tu suave voz!
Para os deuses para o nada
fônicas faces moduladas
no silêncio dos cortes
no lamento da esperança
que se faz de espera.

Minha voz
tua voz
nossa voz
sempre viva meio morta
som e sol de puros nós.

Minha voz
                                       (Yes)
Tua voz
   (Non)
nossa voz plastificada
   (Yesnon)
nauseada coqueteada
com
chicletes e outros etes
vinda do fundo da alma
do fundo da calma
pesando por falar
pesando por calar
sem que ninguém
pudesse senti-la:
“As aves que aqui gorjeiam
não gorjeiam como lá.”

Nossa voz
minha voz
esgotada em sua essência
sem clemência
paga dura penitência
de milenar existência.

Tua voz
   (Yes)
Minha voz
   (Non)
Nossa voz
   (Yesnon)


In.Profugus.Goiânia,1990.
Imagem retirada da Internet: voz