Postagens

Francisco Perna Filho - Ensaio Crítico

Imagem
ESPELHADO DE CÉU MUITO SERENO Depois de morar em São Luis do Maranhão, Cuiabá, Palmas, Goiânia e Fortaleza, Jádson Barros Neves voltou à sua pequena cidade, Guaraí-TO, para uma jornada de intensas leituras e escritas. Leitor de William Cuthbert Faulkner, estudioso contumaz das nossas Letras, traz na alma, um tanto quanto inquieta, os causos, lendas e mitos da Região Norte, principalmente do sul do Pará, onde trabalhou como vendedor de secos e molhados, juntamente com seu pai, já falecido. Jádson, ao longo dos seus quarenta e dois anos de existência, vem construindo um trabalho de fôlego na narrativa contemporânea brasileira, mais particularmente na categoria conto. Detentor de diversos prêmios literários, tanto no Brasil, como no exterior, valendo destacar o Concurso Guimarães Rosa/Radio France Internationale. Enquanto o primeiro livro não chega, Jádson vai se firmando como escritor, conquistando novos leitores e novas premiações, como recentemente o fez, ...

Francisco Perna Filho - Ensaio Curto

Imagem
Carlos Fuentes ESPAÇO E PRECONCEITO Há muito que ouço e leio julgamentos do tipo: “esses são poetas menores”, “aqueles são poetas maiores”. Fale-se muito, classifica-se sem critérios, abusa-se de chavões, mas consistentemente nada se tem de concreto. Sobressaindo-se os ditos “Grandes” os “consagrados”, os “intocáveis”, donos de uma obra magistral. “A melhor de todas”. Já ouvi muito dos “ditos consagrados” e olha que as academias, os salões, as agremiações, estão cheios desses imortais indivíduos, tão sonhadores nem quem tempo têm para realidade. Para a realidade literária, aquela que bate à porta, que clama para ser lida e ouvida. Aquela que está na rua, nas velhas cidades, na universalidade dos becos, no lirismo da despedida. Uma realidade que pulsa na Internet, nos blogs, nos fóruns, nas revistas eletrônicas, exemplo, a Bula. Franz Kafka Lembro-me de ouvir por aí, da boca de muitos intelectuais, que eles jamais escreveriam para blogs, para revistas eletrôni...

Inácio de Loyola Brandão - "De onde vêm esses seres?"

Imagem
Ignácio de Loyola Brandão - foto by Tribuna de Minas Beth Brait, no seu livro  A   Personagem , dedica um capítulo para  ouvir o que alguns escritores contemporâneos têm a dizer sobre os seus personagens:  como surgem? de onde vêm, quem são esses seres?  Reproduziremos, aqui, ao longo desta semana, tais depoimentos. Hoje, ouviremos o que tem a nos dizer Inácio de Loyola Brandão .  Divulgação V êm de mim. Sou eu mesmo, uns quarenta por cento. Tem vez que é bem mais: sessenta, cem por cento. Depende da piração. Mas a maior parte das vezes vêm de tudo que me rodeia, das pessoas que estão à minha volta. De gente que vi, observei, convivi, entrevistei, amei. Dizia Hemingway (será que dizia mesmo?) que o escritor não pode ter escrúpulos. Nem com os outros, nem consigo mesmo. Não se confunda falta de escrúpulos com mau-caratismo; são coisas distintas, no caso literário. Se uma pessoa pode fornecer dados ricos para um personagem, por que não utilizá...

Antônio Torres - "De onde vêm esses seres?"

Imagem
Beth Brait, no seu livro A   Personagem , dedica um capítulo para  ouvir o que alguns escritores contemporâneos têm a dizer sobre os seus personagens: como surgem? de onde vêm, quem são esses seres? Reproduziremos, aqui, ao longo desta semana, tais depoimentos, começando com o Escritor Antônio Torres. Boa leitura!  E les vêm do fundo de uma gaveta chamada memória . Aparecem quando menos esperamos. Rondam as nossas noites, nos perseguem por madrugadas a fio. A princípio são imagens vagas, feições humanas de quem mal nos lembramos, sombras de um passado que o presente quer resgatar. Convivo com esses seres durante meses, às vezes durante anos, até pularem sobre o teclado. Engata a primeira frase, eles, o seres reais que me serviram de ponto de partida para o romance, vão desaparecendo e dando lugar ao que chamamos de personagens. Uma gente que se cria, anda por suas próprias pernas e nos impõe o seu próprio destino. Foi assim com Um cão uivando p...

Francisco Perna Filho - Poema

Imagem
PROFISSÃO DE FÉ (Mise en abyme). Vovó, Mamãe, irmã, outra irmã, tia, outra tia, eu eu, outra tia, tia, outra irmã, irmã, mamãe, vovó Amore, eu antes da vovó, as professoras dela, antes da mamãe, as professoras dela antes das irmãs, as professoras delas antes das tias, as professoras delas antes de amore, as professoras dela aprendi com todas elas Além delas, os meus alunos: os bons, os maus o mundo: "vasto mundo". aprendi muito com os livros, com os Mestres que escreveram os livros com os poetas com os narradores com os cordelistas com os pintores com os atores com os artistas om o vigia do meu carro com o motorista de ônibus com o taxista com o porteiro com o cara da cantina com o guarda com o faxineiro com o gari todos eles me ensinaram muito continuo aprendendo/ensinando ensinando/aprendendo assim/assado às vezes, Sísifo às vezes, Prometeu sem parada sem pontuação na dinâmica dos barcos na fluência do rio na confluência das ruas sou assim: PROFESSOR. Imagem reti...

Francisco Perna Filho - Crônica

  PONTOS DE FUGA* Algumas leituras nos são fundamentais, por nos situarem no tempo e no espaço e contribuírem para a nossa formação, não permitindo que se faça na realidade o imaginário perverso, e nem o bestial na sensatez. Quantas já nos aliviaram a dor alma e nos livraram do sono letal da ignorância, quando em imensas noites alimentaram as manhãs vindouras e os seguros passos de novas caminhadas. Sobre elas, como bem o fez Hélio Pólvora no seu livro de ensaio ‘O Espaço Interior‘ (Editora da Universidade do Mar e da Mata, 1999), depois de ensaiar sobre a literatura universal, dedicou um capítulo às suas leituras e as de sua geração: ‘O que a minha geração leu’ – permitindo-nos um passeio saboroso pelo que há de mais diverso e importante na literatura universal: “A minha geração leu muito. Claro, a tevê só chegou quando éramos adultos. Para matar o tempo, que sempre resiste e acaba nos matando, segundo a lição de Machado de Assis, tínhamos apenas a Rádio Nacional, com...