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Amadeus Amado - Poema

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Miragem Pura miragem, esta tarde: o vermelho ilude os teus olhos; nada me faz entristecer. Só o vento, aqui, é verdadeiro. Tombam homens, mansões, torres e sonhos. Eu permaneço firme, fincado, contemplando os teus olhos: vermelhos e ausentes. Imagem retirada da Internet: ventania

Mário Jorge Bechepeche - Ensaio Crítico

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              Foto by Sinésio Dioliveira Peripécias sagazes de Valdivino Braz "O Gado de Deus”, de Valdivino Braz, pode ser considerado uma das referências insignes do romance brasileiro A pertinácia escritural de Valdivino Braz é um cenário de incontido jorro fervilhante e contínuo de galopes fráseos, de lépidos e desvairados petardos estruturais, linguísticos; enfim, um perfilamento e culminação de um remodelismo conjuntivo de décadas literárias. A prosa, com “Cavaleiro do Sol” (1977), e a poesia, “As Faces da Faca” (1978), ressentem-se do assanho impactador de neófito que assoma os horizontes deslumbrantes e irresistíveis da criação literária, mas ainda subjugado pelo imediatismo das temáticas e das influências de autores impregnantes e irresistíveis (como João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Lêdo Ivo.) que ainda não revelam aquele seu futuro buril raiado que ele instauraria nas publicações posteriores, fantasticamente aguç...

Cecília Meireles - Poema

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Primeiro Motivo da Rosa Vejo-te em seda e nácar, e tão de orvalho trêmula, que penso ver, efêmera, toda a Beleza em lágrimas por ser bela e ser frágil. Meus olhos te ofereço: espelho para face que terás, no meu verso, quando, depois que passes, jamais ninguém te esqueça. Então, de seda e nácar, toda de orvalho trêmula, serás eterna. E efêmero o rosto meu, nas lágrimas do teu orvalho... E frágil. Imagem retirada da Internet: Cecília Meireles

Cecília Meireles - Poema

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Timidez  Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve... - mas só esse eu não farei. Uma palavra caída das montanhas dos instantes desmancha todos os mares e une as terras mais distantes... - palavra que não direi. Para que tu me adivinhes, entre os ventos taciturnos, apago meus pensamentos, ponho vestidos noturnos, - que amargamente inventei. E, enquanto não me descobres, os mundos vão navegando nos ares certos do tempo, até não se sabe quando... e um dia me acabarei. Imagem retirada da Internet: Cecília Meireles

Sinésio Dioliveira - Poema

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Buscando a eufonia Buscando a eufonia das cores da música que a poesia canta, minha lingu'estica minha língu'ag'em busca do mel poético que há nas coisas. Buscando a eufonia das cores da música que a poesia canta, faço serem suaves os pleonasmos viciosos, hiatizo um ditongo , ditonguizo o hiato . Imagem retirada da Internet: O Mel

Sinésio Dioliveira - Poema

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Nervo na flor da pele O nervo na flor da pele no fundo do vale a fúria expele o furor deságua e enxágua o suor carnal dos dois. O biquini de renda a flor, a fenda caminho que o espinho se enfia e se afia ferindo o vórtice voraz que afaga o afã da fome da faca. O nervo na flor da pele - estrela de pelos negros - ate-nua a agonia da pele bebendo o suor da outra estendida do lençol.

Carlos Drummond de Andrade - Poema

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Amar Que  pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita. Imagem retirada da Internet: Carlos Drummond de Andrade