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Alberto da Cunha Melo - Poema

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Alberto da Cunha Melo Filho e neto de poetas, José Alberto Tavares da Cunha Melo nasceu na cidade de Jaboatão dos Guararapes, em 1942.Sociológo,jornalista e poeta integrante da Geração 65 da literatura pernambucana, publicou em 1966 o seu primeiro livro de poemas, Círculo cósmico. Como sociológo, atuou durante onze anos na Fundação Joaquim Nabuco. Como jornalista, foi editor do Commercio Cultural e da revista Pasárgada. Também colaborou com o Jornal da tarde, de São Paulo, onde publicou textos na seção Arte pela arte, e manteve a coluna Marco Zero, na revista Continente Multicultural, do Recife.Foi vice-presidente da União Brasileira dos Escritores de Pernambuco, na sua primeira gestão, e Diretor de Assuntos Culturais da Fundarpe.Em vida, publicou 16 livros, sendo 13 de poesias, e participou de 33 antologias poéticas, duas delas internacionais, com destaque para Os cem melhores poetas brasileiros do século, organizada pelo jornalista e escritor José Nêumanne Pinto, e 100 anos de poesia...

Francisco Perna Filho - Poema

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Francisco Perna Filho Meus o lhos são enormes, dão conta do mundo. Para silenciar-me, coloco-me dentro deles. Imagens retiradas da Internet: 1 e 2

Fernando Pessoa (Ricardo Reis) - Poema

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Fernando Pessoa Deixemos, Lídia Deixemos, Lídia, a ciência que não põe Mais flores do que Flora pelos campos, Nem dá de Apolo ao carro Outro curso que Apolo. Contemplação estéril e longínqua Das coisas próximas, deixemos que ela Olhe até não ver nada Com seus cansados olhos. Vê como Ceres é a mesma sempre E como os louros campos intumesce E os cala prás avenas Dos agrados de Pã. Vê como com seu jeito sempre antigo Aprendido no orige azul dos deuses, As ninfas não sossegam Na sua dança eterna. E como as heniadríades constantes Murmuram pelos rumos das florestas E atrasam o deus Pã. Na atenção à sua flauta. Não de outro modo mais divino ou menos Deve aprazer-nos conduzir a vida, Quer sob o ouro de Apolo Ou a prata de Diana. Quer troe Júpiter nos céus toldados. Quer apedreje com as suas ondas Netuno as planas praias E os erguidos rochedos. Do mesmo modo a vida é sempre a mesma. Nós não vemos as Parcas acabarem-nos. Por isso as esqueçamos Como se não houvessem. Colhendo flores ou ouvindo a...

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) - Poema

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Fernando Pessoa Olá, Guardador de Rebanhos "Olá, guardador de rebanhos, Aí à beira da estrada, Que te diz o vento que passa?" "Que é, vento, e que passa, E que já passou antes, E que passará depois. E a ti o que te diz?" "Muita cousa mais do que isso. Fala-me de muitas outras cousas. De memórias e de saudades E de cousas que nunca foram." "Nunca ouviste passar o vento. O vento só fala do vento. O que lhe ouviste foi mentira, E a mentira está em ti." In Athena, nº 4. Lisboa: Jan. 1925. Imagem retirada da Internet: www.olhares.com O Guardador de Rebanhos

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) - Poema

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Fernando Pessoa Datilografia Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano, Firmo o projeto, aqui isolado, Remoto até de quem eu sou. Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, O tique-taque estalado das máquinas de escrever. Que náusea da vida! Que abjeção esta regularidade! Que sono este ser assim! Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros (Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância), Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho, Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve, Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes. Outrora. Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, O tique-taque estalado das máquinas de escrever. Temos todos duas vidas: A verdadeira, que é a que sonhamos na infância, E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa; A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros, Que é a prática, a útil, Aquela em que acabam por nos meter num caixão. Na outra não há caixões, nem mortes, Há só ilustrações de infância...

Ruy Espinheira Filho - Poema

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Ruy Espinheira Filho Soneto do Quintal para Matilde e Mario, em Monte Gordo, março de 91 Ao recordar a moça, eu me comparo ao cão que vejo a interrogar a brisa. O que é mal comparar: bem mais precisa é a mensagem de odores que o faro decifra. E então medito sobre o claro ser desse cão, e invejo essa precisa vocação de existir. E ausculto a brisa e nada nela encontro. Nada. E paro de lembrar e pensar. Há mais profícuas ocupações. Exemplo: só olhando estar. Cão. Nuvens. Ramos. E, dormindo, um gato. E essas formigas — três — conspícuas, vestidas a rigor, deliberando em torno de uma flor de tamarindo. Imagem retirada da Internet: Tamarindo .

Memórias - Por Francisco Perna Filho

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Francisco Perna Filho O POETA E A CIDADE - MEMÓRIAS (...) Goiânia me traz belas lembranças, porque lá vivi uma boa parte, ou melhor, a maior parte da minha vida. Quem não se lembra do Hotel Presidente, do seu Cine Presidente, onde assisti pela primeira vez ao filme The Wall , Pink Floyd? Quem não se lembra da Galeria do Beto, no setor oeste, com seus barzinhos e lojas? Do Saloon, na República do Líbano. Do Hotel Bandeirante, com seu Piano Bar, palco de grandes acontecimentos sociais? Umuarama Hotel, Samambaia Hotel, Hotel Araguaia, Lord Hotel, todos fazendo parte desta bonita história? Momentos de uma vida, olhares vários de um tempo de encantamento, os belos bailes do Jóquei e do Jaó. Talvez pela distância, fato normal nas nossas fantasias de perpetuação do que é bom. E a Praça Universitária? coisa igual não havia, ali embalei os meus sonhos, meus amores, a minha boêmia, quando comecei o meu curso de Letras na UCG, agosto de 1984, Época de D. Fernando. Vivíamos ainda a efervescência...