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Francisco Perna Filho - Poema

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Francisco Perna Filho Errabundo Eis meu corpo, não vos ofereço. Santificado não fora, tornara-se errabundo e fértil. Feito de todos os metais, fora navegante sempre, conquistador. Buscou n’alma o outro; na alegria, a estrada; na gruta, o vício. A vós, nada pode ofertar. Livre de toda vestimenta, sempre foi sombra e com as sobras do mundo fez sua última ceia. De vós nada quer. Em mim, somente em mim, celebra o ócio. Desconhece qualquer outra sorte que não o vício. Com ele celebro o mundo e sou. De vós nada quero. In. Refeição .Francisco Perna Filho. Goiânia:Kelps, 2001. Imagem retirada da Internet: Lobo .

Francisco Perna Filho - Poema

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Francisco Perna Filho Para lá do sem-sentido Mar, simplesmente o Mar, envolto de homens tão prenhes de si mesmos, confortáveis nos seus assentos, nas suas calamidades imperceptíveis, no olhar por cima que singra o sem-sentido, o invisível ocaso dos objetos. Somos todos náufragos, pálidos senhores do Agora. Só a Arte nos tira da calamidade de sermos tão humanos e brutos, brocados como as velhas tabocas, abandonados nas barrocas da nossa imaginação. Navegar será sempre possível, mesmo que nos tirem as rédeas, porquanto o nosso norte está para lá dos oceanos, dos angicos, dos pau d'arcos, das sarãs. O nosso Norte será sempre a palavra. Foto by Sinésio Dioliveira - Todos os Direitos reservados

FEDERICO GARCÍA LORCA - POEMA

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Federico García Lorca (1898-1936) Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de junho de 1898 — Granada, 19 de agosto de 1936) foi um poeta e dramaturgo espanhol, e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola devido ao seus a linhamento político com a República Espanhola e por ser abertamente homossexual. Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transfere-se para Madri, onde ficou amigo de artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou seus primeiros poemas. Grande parte dos seus primeiros trabalhos se baseiam em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928) Concluído o curso, foi para os Estados Unidos da América e para Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi estadunidense. Expressou seu horror com a brutalidade da ...

Cida Almeida

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Cida Almeida Cida Almeida nasceu em Jandaia, interior de Goiás, em 28 de setembro de 1961. É formada em Comunicação Social - Jornalismo e Direito pela Universidade Federal de Goiás. Jornalista com mais de 20 anos de profissão, Cida Almeida foi repórter dos jornais Diário da Manhã e Correio Brasiliense (Sucursal de Goiânia) e do Gabinete de Imprensa da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. Atualmente dedica-se à assessoria de imprensa. Ela escreve sobre literatura para sites de cultura. Mantém os blogs Caixinha de Alfazema , Cartas do Paraíso e Diálogos da Esfinge , onde publica fotografias, crônicas, poesias e outras invencionices. Cida Almeida é autora do livro Flor de Pedra (poesia) . A FONTE Viver é beber da misteriosa fonte Esgotá-la com gosto Gota a gota, conta a gota, contra a gota Viver é irrevogável entrega à fonte De exauri-la emcada pingo que jorra A montante e a jusante Enchentes e vazantes do eu-leito O que se cava tenro, quase terno por dentro E vivo as chuvas saben...

Florbela Espanca - Poema

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Florbela Espanca Poetisa de linhagem dos grandes torturados da época do Simbolismo (Antônio Nobre, Camilo Pessanha, Sá-Carneiro), Florbela apareceu tardiamente, pois na altura de 1920 chegava ao fim a geração a que se filiara; e só depois de sua morte começou a crítica mais autorizada (Jorge de Sena, José Régio) a valorizá-la como uma das maiores figuras da poesia portuguesa. Em sua obra, relativamente pequena, está a confissão da pungente dor de quem ansiou sempre, mas em vão, pela felicidade. Antônio Soares Amora EU Eu sou a que no mundo anda perdida. Eu sou a que na vida não tem norte, Sou a irmã do Sonho, e desta sorte sou a crucificada...a dolorida... Sombra de névoa tênue e esvaecida, E que o destino amargo, triste e forte, Impele brutalmente para a morte! Alma de luto sempre incompreendida!... Sou aquela que passa e ninguém vê... sou a que chamam triste sem o ser... Sou a que chora sem saber por quê... Sou talvez a visão que Alguém sonhou, Alguém que veio ao mundo ...

Florbela Espanca - Poema

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FLORBELA ESPANCA (1895-1930) Florbela de Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa, no Alentejo. Muito cedo definiu-se-lhe o temperamento e a sensibilidade poética, de início em confessado parentesco com Antônio Nobre (Juvenilla, 1916). Terminado o liceu em Évora (1917), transferiu-se para Lisboa, (1918), onde inaugurou na Faculdade de Direito e onde publicou o primeiro livro de poemas (Livro de Mágoas, 1919), que passou despercebido à crítica, embora já fosse a afirmação de uma excepcional poetisa, cuja vida foi um crescendo de ansiedades e de amarguras, confessadas com veemência e invulgar poder de expressão literária em outro livro, de que mais uma vez não deram conta os contemporâneos (Livro de Soror Saudade, 1923). Bastante deprimida, com o consolo da amizade e do entusiasmo de apenas poucos amigos, entre os quais Guido Batelli, que lhe preparou a edição do último livro (Charneca em Flor, 1931), morreu, com trinta e seis anos, em Matozinhos, para onde fora em busca de saúde....

José Inácio Vieira de Melo - Poema

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JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO Nasceu em Olho d'Água do Pai Mané, povoado do município de Dois Riachos, Alagoas, em 16 de abril de 1968. Publicou os livros Códigos do Silêncio (2000), Decifração de Abismos (2002) e o livrete Luzeiro (2003). Organizador do Concerto lírico a quinze vozes - uma coletânea de novos poetas da Bahia (2004). É jornalista e co-editor da revista de arte, crítica e literatura Iararana. LAR Sim, sinto o cheiro do ambiente: terras torradas pelas brasas do Sol. Este é o lugar onde me conjugo. No meio da tarde bato as asas, saio por aí no voo de um concriz. Dessas plagas sou semente e fruto. In. A Terceira Romaria. José Inácio Vieira de Melo. Salvador: Aboio Livre, 2005. p.63 Imagem: Tuiuiú by Sinésio Dioliveira - Todos os direitos reservados.