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Mostrando postagens de março, 2014

Marja Perna - Conto

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A ALMA DA MINHA MÁQUINA DE LAVAR Quando a mulher se casa, ela traz consigo vários desejos, guardados a sete chaves, os quais lhe proporcionarão muitas felicidades, além da economia de seu tempo para usufruir das pequenas futilidades femininas. Talvez não seja do conhecimento de todos, mas a mulher só adquiriu sua independência quando surgiu a máquina de lavar, e é nesse contexto que o fato se desenrola: a história de uma mulher de meia idade e sua máquina de lavar, que tinha alma. Há alguns anos, mais ou menos cinco anos, uma jovem esposa, trabalhadora de instituição pública,  durante seis horas, e, no restante do dia, mãe, doméstica, lavadeira, amante, cozinheira, dentre várias outras profissões inerentes às mães, resolveu, para economizar tempo nas tarefas domésticas,  adquirir uma máquina de lavar, comprada via internet, em 10 prestações, com um prazo de vinte dias para entrega. Finalmente, a grande aquisição chega ao domicílio. Um misto de ale...

José Fernandes - Artigo Literário

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IDENTIDADE ÔNTICA E ONTOLÓGICA DO SER HOMEM NA LINGUAGEM  DE            GRANDE SERTÃO: VEREDAS Escritório de João Guimarães Rosa -  Foto: Acervo Familia Tess INTRODUÇÃO O estado de lançado do homem no mundo compreende a existência da identidade ôntica, social, e da identidade ontológica. A primeira ocorre, quase sempre, de forma inconsciente, pois se realiza, à medida que o homem, obrigatoriamente, tem de se relacionar com o outro e com o sistema, para sobreviver. A segunda, entretanto, exige que o ser tenha plena consciência de seu estado de lançado e da conseqüente necessidade de conquistar sua essência, a substância do humano. A identidade ontológica, mormente dentro do texto artístico, materializa-se em linguagem, que pode assumir diversas faces e funções, à proporção que a personagem de ficção se pensa e dispõe da consciência do ser e do estar no mundo. No caso de Grande sertão: veredas, o protagonista, ao pôr-se em ...

Irma Galhardo - Ensaio Poético

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Foto by Gianne Carvalho RIOS E GÊNEROS LITERÁRIOS  Conheço muitos rios: Rio das Éguas, Rio São Francisco, Rio Formoso, até o Rio Tâmisa! O Rio Tocantins, porém, é especial! Nasci às margens do Rio das Éguas, um rio corrente, de águas puras e cristalinas, o mais lindo que já vi. Para mim, é como se fosse poesia. Poesia em seu mais amplo sentido! Tive minha infância e adolescência banhada por suas águas e chorei sua ausência quando fui estudar em Goiânia, onde rios com nome de meia e leite* não calçaram nem nutriram minha saudade. O Rio das Éguas continua em meu coração como o poema mais lindo já escrito. O Rio São Francisco foi meu segundo rio. Eu, com apenas quatro anos o atravessei pela primeira vez em um pequeno barco a remo. Uma coisa gigante que parecia que não acabava mais! Depois continuei atravessando, pois ficamos morando por um tempo em Bom Jesus da Lapa, na mesma época que o Capitão Lamarca desertou e passou por lá. Eu sempre assustadíssima, pelo rio...