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Mostrando postagens de julho, 2013

Valdivino Braz - Poema

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O mar dentro das palavras O mar explode na milenar solidez das rochas, a onda se estilhaça com os seus cristais e a louça de suas conchas. Do limbo abissal do oceano, emerge o carbono, o espírito infinito da escrita. Uma voz vinda do mangue sangra emaranhado de vocábulos. Arrebentam-se no mar as ondas de algas oriundas do fundo negro de tudo. Surge do limbo das águas o ser das palavras que se abrem feito feridas. O mar se atira num jorro de espuma e calcário. O barco espatifado aderna ao modo de um aleijado, ou manco de uma perna, que se deita na praia dos esquecidos. O ser solitário contempla a fúria das ondas fragmentárias e murmura ao sentir o mar dentro de si. Um grão de areia em sua mão é o mundo e o enigma de tudo. Uma pedrinha de nada, polida pelas águas. O ser guarda a pedrinha na boca e se volta para dentro das palavras. Arabescos na areia são sinais de siri. Albinos caranguejos se movem por ali. As bromélias brotam e porejam a pele ...