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Mostrando postagens de janeiro, 2013

Fabrício Carpinejar - Poema

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‎ "A maior tragédia de nossas vidas" Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.  A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada. Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa. Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio. Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda. Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência. Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa. Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram. Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?...

JJ. Leandro - Poema

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Pedido de casamento Meu pai era homem de urgências. No trabalho e no amor Aviava seus atos Como um condenado Em último pedido. Na família representou sua ópera-bufa No pedido de casamento. Chegou apressado numa tarde mormacenta de dezembro, Suado num paletó que lhe retinha os movimentos Mas não suas palavras. Entrou na casa de meu avô como um vendaval. Sua vítima fatal à entrada foi o jardim. Tropeçou em vasos com camélias, Pisou em margaridas e crisântemos, Jogou do peitoril ao chão gerânios e azaleias. Mãos à cabeça cheia de bobes, Minha avó protestou: —Vândalo, você destruiu minhas flores! Ele, mais que ligeiro, Cingiu a cintura da namorada como quem Colhe uma rosa pela haste, Dizendo cinematograficamente: — Não, senhora, restou esta que vou levar! Imagem retirada da Internet: marriage proposa l

Carlos Drummond de Andrade - Poema

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A UM AUSENTE Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora. Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas. Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada? Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança. Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste. Imagem retirad...