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Mostrando postagens de julho, 2012

Florbela Espanca - Poema

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Versos de orgulho O mundo quer-me mal porque ninguém Tem asas como eu tenho ! Porque Deus Me fez nascer Princesa entre plebeus Numa torre de orgulho e de desdém. Porque o meu Reino fica para além ... Porque trago no olhar os vastos céus E os oiros e clarões são todos meus ! Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém ! O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ? __O jardim dos meus versos todo em flor ... A seara dos teus beijos, pão bendito ... Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ... __São os teus braços dentro dos meus braços, Via Láctea fechando o Infinito.
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Soneto Puro Fique o amor onde está; seu movimento nas equações marítimas se inspire para que, feito o mar, não se retire de verdes áreas de seu vão lamento. . Seja o amor como a vaga ao vago intento de ser colhida em mãos; nela se mire e, fiel ao seu fulcro, não admire as enganosas rotações do vento. . Como o centro de tudo, não se afaste da razão de si mesmo, e se contente em luzir para o lume que o ensolara. . Seja o amor como o tempo – não se gaste e, se gasto, renasça, noite clara que acolhe a treva, e é clara novamente.

Luís Otávio Fraz - Ensaio Poético

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DUAS PÉROLAS Imagem retirada da Internet - Paris Duas cidades neste mundão de meu Deus devem ser visitadas antes de você morrer. Uma é Paris, a outra é Araguacema. Ambas são belas, deslumbrantes, cada uma a seu modo. Uma é grande, não tão grande, porque quando a visitamos vamos sempre aos mesmos lugares. Torre Eiffel, Arco do Triunfo, museus, passeio no rio Sena, mostras culturais, galerias, cafés, cemitérios, catedral de Notre Dame, lojas e lojas, gastando num sem fim... Vai-se a estes lugares de carro, metrô, táxi, bicicletas, com o risco sempre presente de ser tungado por algum oportunista como toda e qualquer metrópole. Então, se amiúda.
 A outra é pequena, não tão pequena porque quando a visitamos está sempre em constante transformação. Ora são os peixes migrando de um canto a outro e temos o desafio constante de persegui-los para assá-los na trempe mais próxima, ora são as praias teimosas a mudar de lugar, de perfil, mais funda ou mais rasa, mais o...

Vinícius de Moraes - Poema

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A mulher na noite Eu fiquei imóvel e no escuro tu vieste. A chuva batia nas vidraças e escorria nas calhas - vinhas andando e eu não te via Contudo a volúpia entrou em mim e ulcerou a treva nos meus olhos. Eu estava imóvel - tu caminhavas para mim como um pinheiro erguido E de repente, não sei, me vi acorrentado no descampado, no meio de insetos E as formigas me passeavam pelo corpo úmido. Do teu corpo balouçante saíam cobras que se eriçavam sobre o meu peito E muito ao longe me parecia ouvir uivos de lobas. E então a aragem começou a descer e me arrepiou os nervos E os insetos se ocultavam nos meus ouvidos e zunzunavam sobre os meus lábios. Eu queria me levantar porque grandes reses me lambiam o rosto E cabras cheirando forte urinavam sobre as minhas pernas. Uma angústia de morte começou a se apossar do meu ser As formigas iam e vinham, os insetos procriavam e zumbiam do meu desespero E eu comecei a sufocar sob a rês que me lambia. Nesse momento as cobras apertaram o meu pes...

Vinícius de Moraes - Poema

Dialética   É claro que a vida é boa E a alegria, a única indizível emoção É claro que te acho linda Em ti bendigo o amor das coisas simples É claro que te amo E tenho tudo para ser feliz Mas acontece que eu sou triste... Foto: AE