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Mostrando postagens de janeiro, 2010

Alexandre Acampora - Poema

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A LEXANDRE ACAMPORA - Escritor, documentarista e fotógrafo. Carioca do Rio Comprido. Morou no Estado do Tocantins por quinze anos, onde foi secretário de cultura da capital. É membro da Academia de Letras de Palmas, foi eleito para o cargo de conselheiro de cultura da cidade. Escreveu no memorável Pasquim, editou jornais alternativos. Escreveu dois livros paradidáticos - I ntrodução à Filosofia da Educação e História da Educação Infantil , editados no Rio de Janeiro e no Tocantins. Resgatou, reescreveu e produziu a edição de dois livros de Lysias Rodrigues - O Rio dos Tocantins e Roteiro do Tocantins . É autor do livro de poemas Espuma Sagrada do Tempo com duas edições, em Palmas. Escreveu e editou o romance minimalista A Princesinha Inca , o livro de artigos Escritos de Jornal. Foi cronista dominical da Folha Popular, editor de cultura no jornal Tribuna do Tocantins, articulista dos jornais Primeira Página e Cinco de Outubro. É autor de roteiros e diretor de documentários. Recebeu ...

Ana Cristina Cesar - Poema

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ANÔNIMO Sou linda; quando no cinema você roça o ombro em mim aquece, escorre, já não sei mais quem desejo, que me assa viva, comendo coalhada ou atenta ao buço deles, que ternura inspira aquele gordo aqui, aquele outro ali, no cinema é escuro e a tela não importa, só o lado, o quente lateral, o mínimo pavio. A portadora deste sabe onde me encontro até de olhos fechados; falo pouco; encontre; esquina de Concentração com Difusão, lado esquerdo de quem vem, jornal na mão, discreta. In. A teus pés, Editora Brasiliense, 1993 – S.Paulo, Brasil Imagem retirada da Internet: sensual

Chico Buarque - Poema

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O meu amor O meu amor Tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca Quando me beija a boca A minha pele inteira fica arrepiada E me beija com calma e fundo Até minh'alma se sentir beijada, ai O meu amor Tem um jeito manso que é só seu Que rouba os meus sentidos Viola os meus ouvidos Com tantos segredos lindos e indecentes Depois brinca comigo Ri do meu umbigo E me crava os dentes, ai Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha Do bem que ele me faz O meu amor Tem um jeito manso que é só seu De me deixar maluca Quando me roça a nuca E quase me machuca com a barba malfeita E de pousar as coxas entre as minhas coxas Quando ele se deita, ai O meu amor Tem um jeito manso que é só seu De me fazer rodeios De me beijar os seios Me beijar o ventre E me deixar em brasa Desfruta do meu corpo Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha Do bem que ele me faz In. Letras.Terra Foto retirada da Internet: ...

Renata Pallottini - Poema

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Cerejas, meu amor Cerejas, meu amor, mas no teu corpo. Que elas te percorram por redondas. E rolem para onde possa eu buscá-las lá onde a vida começa e onde acaba e onde todas as fomes se concentram no vermelho da carne das cerejas... Fonte: cseabra.utopia Imagem retirada da Internet: cereja .

Pablo Neruda - Poema

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Os teus pés Quando não posso contemplar teu rosto, contemplo os teus pés. Teus pés de osso arqueado, teus pequenos pés duros. Eu sei que te sustentam e que teu doce peso sobre eles se ergue. Tua cintura e teus seios, a duplicada purpura dos teus mamilos, a caixa dos teus olhos que há pouo levantaram voo, a larga boca de fruta, tua rubra cabeleira, pequena torre minha. Mas se amo os teus pés é só porque andaram sobre a terra e sobre o vento e sobre a água, até me encontrarem. In. cseabra.utopia Imagem: Pés.

Francisco Perna Filho - Poema

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Para Sinésio Dioliveira Libélula Libélula a tua língua como pássaro em arregalado voo para roubar o silêncio das flores. De onde vens, não importa. Nada importa! Nem mesmo o canto que não trazes. O que importa em ti é o ócio prematuro dos insetos, quando esticas o verde das folhas tenras e te misturas à secura das árvores e ao cheiro dos cogumelos selvagens. Libélula a tua língua no silencioso voo, na nostalgia da intestina selva, para seduzir o solitário fotógrafo que te presenteia com desmesurados flashes. Palmas, 25/01/2010 Foto by Sinésio Dioliveira

Safo - Poema

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A uma mulher amada Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro! Quem goza o prazer de te escutar, quem vê, às vezes, teu doce sorriso. Nem os deuses felizes o podem igualar. Sinto um fogo sutil correr de veia em veia por minha carne, ó suave bem-querida, e no transporte doce que a minha alma enleia eu sinto asperamente a voz emudecida. Uma nuvem confusa me enevoa o olhar. Não ouço mais. Eu caio num langor supremo; E pálida e perdida e febril e sem ar, um frêmito me abala... eu quase morro ... eu tremo. Fonte: cseabra.utopia - In. Clássicos do erotismo , vol. 2 Imagem: Erótico - Carlos Azulay - Pintor e escultor argentino, nascido em 1955 em Buenos Aires.

VISÕES DA CIDADE

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I A cidade é vista sob a neblina difusa. Há um desejo de vê-la cada vez mais de perto. ela é vária e diluída ensina um olhar de milhas que não se perde em mim. A cidade é dura, é leve é ilha. Somente em mim ela se completa. Acordada, sente o olhar humano, e dormindo, afaga os sonhos mais diversos. Há um querer de ruas, de praças, de espaços e vazios. Fonte da imagem: http://mw2.google.com/mw-anoramio/photos/medium/2551780.jpg

Francisco Perna Filho - Poema

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CONCERTO PARA VIOLINO O projétil desliza em linha reta, não há tempo nem espaço. A lógica da bala é estúpida, rompe o elo da existência. Poderia ser assim, mas o maestro russo Serguei Diatchenko, 64, preferiu a corda, a viga, o impulso. Há tempos perseguia o som original, usara de todos os recursos e instrumentos, percorrera rios e insônias para quedar ali como uma fraude. Não fosse a cobiça, a pecúnia, os sons seriam outros, o ritmo seria outro, o modo e o compasso diferentes. Mas não, Roma era grandiosa, e ele sonhara com instrumentos perfeitos: Messias ; Viotti , Khevenhüller , Paganini , Lipin´ski Davidov. Fora além do seu sonho, e, por um instante, tornara-se o deus Stradivari . Soubera-se famoso ao reger a própria sorte. No momento em que pendia, não se dera conta do som que perseguia. * O maestro russo Serguei Diatchenko, de 64 anos e aluno do genial regente austríaco Herbert von Karajan, s...

SONETO EM DESALINHO

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Francisco Perna Filho Para onde me levará este olhar, quando ainda não compreendo os caminhos, com um amargo da palavra que me invade e a luz rouca dos teus olhos que me fitam. No teu silêncio principio a minha angústia, longe, vaga, e tão presente me assola, de dia, brinco, rio, falo, cantarolo, de noite, cego, tateio sem destino. Houvesse uma bússola para consolo, nas batidas lentas dessa nossa vida, eu seria um outro homem em escalada, Mas a vida sonora é silêncio, e a luz que brilha é o caminho que me cega, quedo em canto, em pranto, em incerteza, em nada. Palmas, 30/06/2009 Imagem: Lucien Freud http://media.photobucket.com/image/lucien%20freud/drawpartner/freudbyauerbach.jpg

Francisco Perna Filho - Poema

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Feliz Aniversário, amor! Para Rosana Carneiro Tavares VISITAÇÃO Quando os meus olhos já cansados de tantas buscas, amarrados por um certo tempo a uma linha qualquer perdida no caos do porto. E eu, aflito e insone, perpetuando as mágoas de um marinheiro afoito ante o mar tão caudaloso, revivo nos teus olhos a paz tão procurada e deposito no teu corpo a agonia de tantas noites perdidas, na incessante procura de quem habita os bares de fuga e canto. E eu, um homem só, sem coragem de voz e congelado na Inércia desse apartamento, aliviado pelo barulho insípido da chuva que chora compassadamente, na compensação dos gritos e soluços, que maquinalmente eu não consigo emitir, uno-me aos teus passos e no movimento do teu corpo redescubro a vida há tanto desaconselhada ao meu irresoluto ser. E agora, com a paz que os teus olhos me trouxeram, irmanada pela vida redescoberta no meu ser, restabeleço-me com a força dos teus passos, aos pass...

Fabrício Carpinejar - Poema

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Testamento Sou também um livro que levantou dos teus olhos deitados. Em tudo o que riscavas, queria um testamento. Assim recolhia os insetos de tua matança, o alfabeto abatido nas margens. Folheava os textos, contornando as pedras de tuas anotações. Retraído, como um arquipélago nas fronteiras azuis. Desnorteado, como um cão entre a velocidade e os carros. Descia o barranco úmido de tua letra, premeditando os tropeços. Sublinhavas de caneta, visceral, impaciente com o orvalho, a fúria em devorar as idéias, cortar as linhas em estacas da cruz, marcá-las com a estada. Tua pontuação delgada, um oceano na fruta branca. Pretendias impressionar o futuro com a precocidade. A mãe remava em tua devastação, percorria os parágrafos a lápis. O grafite dela, fino, uma agulha cerzindo a moldura marfim. Calma e cordata, sentava no meio-fio da tinta, descansando a fogueira das folhas e grilos. Cheguei tarde para a ceia. Preparava o jantar com as sobras do almoço. Lia o que lias, lia o que a mãe lia. E...

Gerardo Mello Mourão - Poema

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CATARINA À rosa e ao vinho Era servido o aroma – E era das uvas, ao cristal, ao beijo De tua boca a mera Libação do aroma. Rosa era teu nome, Susana, Catarina – e bêbedos de rosas, Diônisos, Caíamos de uns lábios tintos. Fortaleza, 1996 In. Cânon & Fuga. Gerardo Mello Mourão. Rio de Janeiro: Record, 1999,p.14. Imagem retirada da Internet: Uvas.

Francisco Perna Filho - Poema

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HAITI A terra fende, os corpos fedem, as almas fogem. Só agora te tornas visível aos olhos do mundo. uma esperança fugidia, desmantelada, emerge dos escombros, dos gritos petrificados, dos anos de desgoverno, de exploração e de miséria. Não há tempo para chorar os mortos: insepultos cidadãos do previsível. Não há tempo para nada, só resta sobreviver, fugir da própria dor, resistir mais uma vez. Imagem retirada da Internet - Foto by AP - todos os direitos reservados.

Gonçalves Crespo - Poema

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(1846 - 1883) António Cândido Gonçalves Crespo nasceu nos arredores do Rio de Janeiro, filho de um negociante português e de uma mestiça, foi para Portugal com dez anos de idade. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra em 1877, sendo colaborador do jornal “A Folha”, da qual era diretor João Penha, poeta que introduziu em Portugal o Parnasianismo. Naturalizou-se português. Casou, em 1874, com a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho (1847-1921). Fez carreira no mundo das Letras e também na política. De saúde débil, contraiu tuberculose, vindo a falecer, aos 37 anos, em 1883. Gonçalves Crespo foi influenciado pela escola parnasiana, notando-se nas suas obras poéticas o abandono da estética romântica. As suas poesias foram reunidas nas colectâneas Miniaturas (1870) e Nocturnos (1882). Tendo casado com a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho, escreveu em colaboração com ela o livro Contos para os Nossos Filhos, publicado em 1886. Em 1887, são publicadas as suas "OBRAS CO...

Clarice Lispector - Conto

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O Búfalo Mas era primavera. Até o leão lambeu a testa glabra da leoa. Os dois animais louros. A mulher desviou os olhos da jaula, onde só o cheiro quente lembrava a carnificina que ela viera buscar no Jardim Zoológico. Depois o leão passeou enjubado e tranqüilo, e a leoa lentamente reconstituiu sobre as patas estendidas a cabeça de uma esfinge. "Mas isso é amor, é amor de novo", revoltou-se a mulher tentando encontrar-se com o próprio ódio mas era primavera e dois leões se tinham amado. Com os punhos nos bolsos do casaco, olhou em torno de si, rodeada pelas jaulas, enjaulada pelas jaulas fechadas. Continuou a andar. Os olhos estavam tão concentrados na procura que sua vista às vezes se escurecia num sono, e então ela se refazia como na frescura de uma cova. Mas a girafa era uma virgem de tranças recém-cortadas. Com a tola inocência do que é grande e leve e sem culpa. A mulher do casaco marrom desviou os olhos, doente, doente. Sem conseguir — diante da aérea girafa pousada, di...